
Ler Resumo
Nos anos 1990, o corpo preservado de um “homem do gelo” foi descoberto no vale alpino de Ötzal, na Áustria. Desde então, ele tem sido preservado a uma temperatura de -6ºC, e com uma enorme variedade de métodos para não estragar o espécime, pesquisadores identificaram quais microrganismos encontrados no homem estavam ali há mais de 5 mil anos, e quais são recentes.
De acordo com uma nova pesquisa publicada na Microbiome, alguns dos microrganismos encontrados no corpo do homem de gelo ainda podem estar ativos no sentido metabólico. Os resultados sugerem que, apesar da técnica usada para preservação do corpo suprimir a procriação da maioria dos organismos, ela também pode manter vivos alguns que estão em sua condição ideal de sobrevivência.
A equipe de pesquisadores analisou as bactérias e fungos encontrados em pele, restos de tecidos e água descongelada do restos mumificados do homem ancião. A partir disso, eles compararam os microrganismos encontrados nessas amostras com outros que estavam em partes de gelo e solo que foram encontrados junto do homem à época.
As bactérias Pseudomonas estavam em todas as amostras em todos os períodos. Em tecidos internos, bactérias anaeróbicas, em especial membros do grupo Clostridium, também estiveram presentes durante todas as épocas de análise. Com base em análises de dano do DNA desses organismos, os autores sugerem que as bactérias encontradas fazem parte de uma comunidade antiga da região de descoberta do corpo do homem.
Ainda de acordo com as análises, os pesquisadores isolaram quatro leveduras que pertencem a grupos adaptados a ambientes frios, as Phenoliferia, Glaciozyma, Goffeauzyma e as Mrakia, encontradas durante coletas de 2019. De acordo com novas investigações sobre o dano de DNA delas, esses espécimes podem ter sido revividos após os restos mortais do homem serem descongelados.
Dado que a abundância de bactérias Glaciozyma aumentou desde 2010, e que seus danos ao DNA diminuíram, o microrganismo pode estar ativo de forma metabólica, ou ser capaz de se replicar em condições de conservação gélidas.