Acusada de ter contribuído para a morte do filho, o menino Henry Borel, por omissão, a professora Monique Medeiros teve nesta quarta-feira, 3, a última oportunidade de se defender no Tribunal do Júri. Os advogados da professora apresentaram aos jurados os argumentos finais para tentar a absolvição.

Monique é peça-chave na reta final do julgamento. O foco da acusação tem sido tentar comprovar que a professora tinha conhecimento das agressões de Jairinho ao filho. A situação dela é vista pelo próprio Ministério Público como mais favorável que a do ex-vereador, que foi denunciado como autor do crime.

A maior aposta da defesa é apresentar Monique como vítima de um relacionamento abusivo e de machismo ao longo do processo. “A Monique tem sido tratada como ré. Ninguém olhou para Monique como mãe e como mulher”, argumentou a advogada Florence Rosa ao criticar o “padrão de maternidade” que, segundo ela, foi exigido de sua cliente.

A acusação pintou a professora como uma alpinista social que negligenciou o filho para ascender economicamente. Para isso, os promotores descreveram Monique como uma pessoa vaidosa, fútil e apegada a bens materiais. A defesa, por sua vez, afirma que o fato de frequentar academia e se preocupar com a própria imagem não têm relação com a capacidade de cuidar do filho. “Ninguém veio aqui dizer que ela era uma péssima mãe. Tudo o que se fala é sobre a roupa que ela usava, o fato de ir para a academia”, completou a criminalista.

Os advogados afirmam que Monique foi julgada com base em expectativas sociais diferentes daquelas cobradas dos homens. Para sustentar o argumento, compararam a repercussão de suas idas ao salão de beleza com o fato de o vereador Leniel Borel, pai de Henry, ter ido à barberia dias após a morte do menino, sem que isso fosse usado para questionar sua dedicação ao filho. Segundo a defesa, o contraste evidencia um viés de gênero presente na forma como a professora foi retratada ao longo do processo. Monique foi ao salão no dia do enterro de Heny.

A defesa da professora usou a seu favor os depoimentos de ex-namoradas de Jairinho, que passaram a denunciar publicamente agressões do ex-vereador e foram testemunhas da acusação no Tribunal do Júri. Monique alega que foi mais uma vítima do ex-parlamentar. Ao mesmo tempo, afirma que Jairinho era uma pessoa pública “acima de qualquer suspeita” e que por isso nunca desconfiou que ele pudesse fazer mal ao filho. “Monique não tinha condições e não teve tempo de enxergar um sinal de SOS do seu filho”, disse o advogado Hugo Novais, que fez a sustentação vestindo uma camisa com fotos da professora ao lado de Henry, com os dizeres “Sou testemunha do amor entre mãe e filho” e “Justiça por Henry e Monique”.



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