A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, 02, uma operação contra um esquema interestadual de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Agentes cumpriram, simultaneamente, 18 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Dois suspeitos foram presos durante a ação, além da apreensão de armas, celulares e equipamentos eletrônicos.

As investigações identificaram movimentações financeiras de mais de R$116 milhões no período entre 2020 e 2025 e apontaram ramificações do grupo criminoso nos quatro estados. De acordo com a polícia, recursos arrecadados pelo tráfico de drogas em comunidades dominadas pelo CV no Rio – especialmente o Complexo do Chapadão, na Zona Norte da cidade – eram fracionados em dezenas de depósitos em espécie e direcionados para contas de pessoas físicas e empresas de fachada utilizadas como “laranjas”.

As movimentações ocorriam de forma gradual, técnica conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar a identificação de recursos de origem ilícita pelos sistemas de controle financeiro. O esquema começou a ser investigado em 2020, a partir de uma operação realizada na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários. A análise dos documentos apreendidos revelou o esquema de depósitos.

O inquérito identificou ainda que grande parte do dinheiro ia para contas no município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul. A cidade fica na fronteira com o Paraguai e é considerada estratégica nas rotas do tráfico internacional de armas, cocaína e maconha. Segundo a Polícia Civil, os envolvidos no esquema declaravam uma renda incompatível com sua realidade financeira. Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, num período de quatro anos.

No Rio, a ação policial, chamada de “Operação Riqueza Sombria”, ocorreu na cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, e no bairro Jacaré, na Zona Norte da capital fluminense. Agentes atuaram ainda em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul; Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo; e Formiga, em Minas Gerais. A ação contou com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das Polícias Civis dos quatro estados, além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) carioca e sul-mato-grossense.



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