
Após anos cometendo a atrocidade de renegar ao esquecimento atores mais velhos que fizeram a história de sua teledramaturgia, a TV Globo bem repensando como colocá-los de volta em tela. Antonio Fagundes (que está de saída da trama) e Tony Ramos representam bem esse momento de virada. São de uma geração de atores que ajudaram a estabelecer um padrão de excelência na dramaturgia brasileira, combinando técnica refinada, domínio de cena e enorme capacidade de comunicação popular. Vê-los em Quem Ama Cuida, na nova novela das 9 da TV Globo, é um deleite aos olhos mais atentos, que vibram com bons momentos na TV aberta.
Fagundes ficou marcado por personagens de forte densidade emocional e presença imponente, transitando com naturalidade entre o galã, o patriarca e figuras moralmente ambíguas em novelas como Vale Tudo, O Rei do Gado e A Viagem. Já Tony construiu uma carreira reconhecida pela versatilidade, pela delicadeza interpretativa e pela habilidade de humanizar personagens complexos, tornando-se referência tanto em dramas familiares quanto em papéis populares e carismáticos. Os dois também carregam a reputação de extremo profissionalismo nos bastidores, frequentemente citados por colegas como atores disciplinados, preparados e capazes de elevar a qualidade das produções em que atuam.
Simbolizam uma era em que as novelas brasileiras equilibravam alcance popular, sofisticação dramatúrgica e atuações de grande densidade artística. Na luta por audiência e volta da qualidade de outrora, acerta muito a emissora em resgatar nomes como esses em devidos lugares de destaque. Que sirvam de lição a toda uma geração de novos talentos ainda insipientes para substituírem-nos na missão.
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