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A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) instou o comitê de ética da Fifa a investigar o processo de concessão do inédito Prêmio da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pedido foi feito nesta terça-feira, 2, e aponta que o presidente Gianni Infantino teria violado os estatutos de neutralidade da Fifa ao conceder a láurea ao republicano.
“Somos altamente críticos ao Prêmio da Paz que foi concedido (a Trump)”, afirmou a presidente da NFF, Lise Klaveness. A mandatária afirma que a Federação Norueguesa foi a única seleção a assinar a carta entregue ao comitê e considerou “inútil” pressionar outras entidades a tomar parte na questão. “Outras (federações) sabiam que podiam assinar, se quisessem. Concluímos que era inútil pressionar alguém, só criaria atrito”, apontou.
Essa é a segunda vez que Infantino é denunciado por violar o Código de Ética devido ao prêmio entregue a Trump. A primeira denúncia ocorreu em dezembro de 2025, quando a organização de advocacia sem fins lucrativos FairSquare entregou uma carta detalhando episódios em que o presidente da Fifa violava o artigo 15 da entidade, que detalha o dever de manter neutralidade política “em contatos com instituições governamentais, organizações nacionais e internacionais, associações e grupos”, todos relacionados ao presidente americano.
Infantino tem buscado estreitar seus laços com Trump em função da proximidade da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México, que acontecerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Nesse cenário, as denúncias apontam que o presidente da entidade máxima do futebol adotou posições que supostamente violam o código de neutralidade ao se manifestar publicamente em apoio ao estadunidense.
A controvérsia se iniciou em outubro de 2025, quando a venezuelana Maria Corina Machado venceu a concorrência de Trump e foi premiada com o Nobel da Paz. Na ocasião, Infantino parabenizou as ações do republicano nas negociações de cessar-fogo em Gaza, e afirmou que ele “definitivamente merece o prêmio Nobel da Paz por suas ações”.
Em 5 de novembro, menos de um mês após a vitória de Machado, a Fifa anunciou a criação de seu Prêmio da Paz, feito para “premiar indivíduos que tomaram ações excepcionais e extraordinárias pela paz e, ao tomá-las, uniu as pessoas ao redor do mundo”.
A condecoração foi entregue no sorteio final da fase de grupos da Copa do Mundo, que ocorreria em Washington, nos EUA. Sem muitas surpresas, Trump foi anunciado como o primeiro vencedor da categoria durante a cerimônia. Uma apresentação das ações do republicano foi feita, e Infantino declarou que “isso é o que queremos de um líder”.
Caso o comitê de ética considere que Infantino violou o artigo 15 da Fifa, o presidente poderá ser penalizado com uma multa estimada em 10 mil francos suíços (aproximadamente 67 mil reais). Além disso, o mandatário será proibido de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol por um período máximo de dois anos.