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Fala, pessoas!

Na semana da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, o presidente da CBF, Samir Xaud, emocionado no palco do Museu do Amanhã, disse uma frase que chamou mais atenção do que alguns nomes da lista: “Estamos trabalhando diuturnamente para colocar o futebol brasileiro de volta de onde não deveria ter saído.”

O Twitter parou. Não para falar de Neymar. Mas para perguntar: o que significa diuturnamente?

A resposta é simples: significa continuamente, sem parar, dia e noite. Vem do latim diuturnus — “de longa duração”. É um advérbio que existe há séculos no português e que, naquele momento, fez exatamente o que um bom advérbio deveria fazer: disse em uma palavra o que levaria cinco para explicar.

E aí está o ponto desta coluna.

O problema com “muito”, “sempre” e “bastante”

O português brasileiro falado no dia a dia tem uma dependência enorme de advérbios genéricos. “Muito importante.” “Sempre presente.” “Bastante relevante.” Essas palavras funcionam, mas funcionam no limite mínimo. Elas comunicam, mas não precisam. Não qualificam. Não diferenciam.

No ambiente profissional, a escolha do advérbio certo pode mudar o tom de uma mensagem, o peso de um argumento e a impressão que você causa. Não se trata de usar palavras difíceis para impressionar. Trata-se de usar a palavra exata para dizer exatamente o que você quer dizer.

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Aqui estão cinco advérbios que você deveria ter no vocabulário ativo e não apenas no passivo.

  1. Diuturnamente Significa: continuamente, sem interrupção, dia e noite.

O que diferencia do “sempre” ou do “continuamente” é a carga de esforço que carrega. Diuturnamente não é só frequência, é dedicação constante, sem pausa. Por isso funcionou tão bem no discurso da CBF: não era só dizer que estavam trabalhando. Era dizer que não pararam.

No lugar de: “Estamos sempre atentos às demandas do cliente.”

Com o advérbio: “Monitoramos diuturnamente as demandas do cliente.”

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A segunda frase não é mais longa. É mais precisa e transmite comprometimento de forma muito mais concreta.

  1. Porventura Significa: por acaso, eventualmente, caso haja possibilidade.

Esse advérbio é um refinamento do “talvez” e do “caso”. Ele aparece muito em textos jurídicos e formais, mas cabe perfeitamente em e-mails e comunicações profissionais quando você quer abrir uma possibilidade sem afirmar nada.

No lugar de: “Se você tiver alguma dúvida, entre em contato.”

Com o advérbio: “Caso haja porventura alguma dúvida, estou à disposição.”

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Sutil, mas eleva o registro da mensagem sem torná-la artificial.

  1. Mormente Significa: principalmente, sobretudo, especialmente.

O “principalmente” é perfeitamente válido. Mas “mormente” tem uma precisão adicional, ele indica que o que vem a seguir é o ponto central, não apenas um exemplo entre outros. É muito usado em textos técnicos, relatórios e pareceres.

No lugar de: “O projeto beneficia todas as áreas, principalmente a comercial.”

Com o advérbio: “O projeto beneficia todas as áreas, mormente a comercial.”

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A troca é pequena. O efeito no registro escrito é imediato.

  1. Outrossim Significa: além disso, também, igualmente.

Este é talvez o mais útil dos cinco para o ambiente corporativo. Ele conecta argumentos com elegância, sem o peso do “além disso” repetido três vezes num mesmo documento. É muito comum em petições, contratos e atas, mas funciona em qualquer texto formal.

No lugar de: “O prazo foi cumprido. Além disso, a entrega ficou dentro do orçamento.”

Com o advérbio: “O prazo foi cumprido. Outrossim, a entrega ficou dentro do orçamento.”

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Quem lê percebe a diferença de cuidado com a escrita. Mesmo que não saiba nomear o motivo.

  1. Doravante Significa: a partir de agora, daqui em diante.

Simples, direto e com uma elegância que “a partir de agora” não tem. É o advérbio ideal para comunicados de mudança de processo, novos procedimentos, atualizações de política interna. Marca uma virada no tempo com muito mais firmeza do que as alternativas comuns.

No lugar de: “A partir de agora, todos os relatórios devem ser enviados até sexta-feira.”

Com o advérbio: “Doravante, todos os relatórios devem ser enviados até sexta-feira.”

Dois caracteres a menos. Muito mais autoridade.

Por que isso importa

Vocabulário não é vaidade. É ferramenta.

Quem tem acesso a palavras mais precisas consegue dizer mais com menos e dizer melhor. No ambiente profissional, isso se traduz em mensagens mais claras, argumentos mais sólidos e uma presença escrita mais consistente.

Diuturnamente virou assunto porque soou diferente em meio a um discurso cheio de lugares-comuns. Não porque era difícil, mas porque era exata. Era a palavra certa, no lugar certo, dita por alguém que sabia o que estava dizendo.

É isso que um bom advérbio faz. E o português tem dezenas deles esperando para ser usados.

Gostou desta coluna? Então envia para quem precisa melhorar sua comunicação do cotidiano.

Até a próxima coluna!

Professor Noslen Borges

www.professornoslen.com.br

Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha



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