
O vice-chefe do comando militar central do Irã, Mohammad Jafar Asadi, afirmou nesta terça-feira, 2, que a retomada da guerra com os Estados Unidos é “inevitável”. A declaração ocorre em meio a impasses nas negociações de paz: de um lado, Teerã demanda o fim dos conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a liberação de fundos congelados; do outro, os Washington exige que o regime iraniano abra mão do seu estoque de urânio enriquecido e reabra o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo.
“Os Estados Unidos exigem nossa rendição completa, mas a nação iraniana nunca se renderá”, declarou Asadi. “Sem rendição, a guerra é inevitável. Então aguardamos. A guerra não nos assusta.”
Nas últimas semanas, a guerra no Irã vivenciou uma escalada. No final de maio, a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado uma base aérea americana na região em retaliação aos novos disparos dos Estados Unidos contra o sul do país. A força ideológica do regime dos aiatolás, paralela e mais poderosa que o Exército, não informou a localização da base, mas o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que o Kuwait interceptou “com sucesso” um míssil balístico lançado pelo Irã.
Antes disso, as Forças Armadas americanas comunicaram ter abatido drones iranianos sobre o Estreito de Ormuz e atacado uma instalação militar em Bandar Abbas, uma estratégica cidade portuária no sul do Irã, alegando legítima defesa. (A guarda islâmica alegou que a base aérea no Kuwait “serviu de lançamento para o ataque” em Bandar Abbas, segundo a emissora estatal IRIB.)
Os Estados Unidos já haviam confirmado uma rodada anterior de ataques de “autodefesa” no sul do Irã, quando alvejaram instalações de mísseis iranianos e embarcações que, segundo o Centcom, tentavam instalar minas explosivas no Estreito de Ormuz, onde milhares de cargueiros e petroleiros estão retidos devido ao conflito. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter abatido um drone americano e disparado contra um caça F-35.
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Negociações em ‘ritmo acelerado’
Na segunda-feira 1°, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã prosseguem. Pouco antes, a agência de notícias iraniana semioficial Tasnim informou que as tratativas haviam sido suspensas “diante da continuidade dos ataques do regime israelense no Líbano, e considerando que o Líbano era uma das pré-condições para um cessar-fogo”.
“As negociações com a República Islâmica do Irã continuam em ritmo acelerado. Agradeço a sua atenção a este assunto!”, escreveu Trump na Truth Social, rede social da qual é dono.
Em publicação separada, o republicano informou que teve “uma conversa muito produtiva” com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O mandatário da Casa Branca disse que “não haverá tropas a caminho de Beirute” e que “quaisquer tropas que estivessem a caminho já foram impedidas de entrar”. Trump declarou que também teve uma discussão produtiva com representantes do Hezbollah, na qual “eles concordaram que todos os disparos cessarão — que Israel não os atacará e que eles não atacarão Israel”.
Ainda na segunda, o Irã voltou a condicionar um possível acordo de paz com os Estados Unidos a um cessar-fogo efetivo no Líbano. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, também acusou o governo americano de violar a trégua com Teerã através de bombardeios.