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Astrônomos encontraram as evidências mais fortes até o momento de que alguns planetas fora do nosso Sistema Solar podem ser magnéticos, segundo um estudo publicado na Nature Astronomy nesta terça-feira, 2. A pesquisa se baseou nas observações realizadas através do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Deserto do Atacama, no Chile, e do telescópio Gemini Norte, no Havaí, nos Estados Unidos.

O campo magnético possui uma grande influência em nosso planeta e é um fator chave para entendermos a existência de vida na Terra. Por exemplo, é o magnetismo que nos protege de partículas possivelmente nocivas vindas do Sol. Outros planetas do nosso Sistema Solar também possuem campos magnéticos, como Júpiter e Saturno. Apesar desse conhecimento sobre o sistema que vivemos, nenhum cientista havia conseguido medir a intensidade de campos magnéticos de exoplanetas – corpos celestes fora do Sistema Solar.

Porém, o estudo publicado nesta terça-feira preencheu essa lacuna de conhecimento. A equipe de pesquisadores responsáveis, no entanto, não tinha como objetivo medir campos magnéticos, mas sim ventos. Eles mediram a velocidade do ar atmosférico de sete exoplanetas de sistemas diferentes. Os aspectos em comum desses corpos celestes analisados foram a semelhança com Júpiter – isto é, com dimensões grandes e compostos por gás –, próximos à estrela hospedeira e com rotação sincronizada a ela. Essas características fazem com que os planetas tenham uma face diurna extremamente quente e outra noturna extremamente fria.

A partir das observações, os cientistas mediram ventos que variam em cerca de 7.200 km/h a mais de 25.000 km/h nesses planetas. A diferença de temperatura é um dos motivos pela qual os ventos alcançam tanta força. Mas, ao analisarem a relação entre a temperatura e a velocidade do ar atmosférico em cada corpo celeste, os pesquisadores descobriram um padrão intrigante: quanto mais quente o planeta, mais lento o vento.

Segundo a conclusão da pesquisa, a explicação mais plausível para esse mistério é a presença de campos magnéticos. Os cientistas chegaram a essa resolução, pois o magnetismo pode funcionar, tal qual na Terra, como um freio para as partículas da atmosfera. Assim sendo, a explicação para os ventos mais lentos em determinados planetas foi atribuída ao magnetismo.

A partir das medições dos ventos e do padrão incomum em alguns corpos celestes, os pesquisadores conseguiram inferir a intensidade dos campos magnéticos. Eles descobriram que o magnetismo desses planetas é aproximadamente quatro vezes mais forte que o de Saturno e cerca de metade da intensidade do de Júpiter.



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