A decisão de Davi Alcolumbre de submeter a PEC do fim da escala 6×1 ao rito tradicional das comissões do Senado deu ao setor produtivo o que ele mais precisava neste momento: tempo.

Nos bastidores, entidades como Abear, Abras e CACB ganharam tempo com a escolha do presidente do Senado para tentar reorganizar o debate, longe da pressão mais direta das redes sociais e do plenário. A leitura é que o Senado pode funcionar como uma espécie de instância revisora da pauta trabalhista, com espaço para calibrar o texto aprovado na Câmara ou condicionar seu avanço a medidas de compensação.

O objetivo do empresariado não é apenas adiar a votação. A estratégia que começa a ganhar corpo em Brasília é deslocar o eixo da discussão para propostas alternativas que já circulam no Senado. A principal delas é a chamada PEC da Flexibilidade, apresentada pelo líder da oposição, Rogério Marinho. A ideia é atrelar qualquer redução de jornada a modelos mais amplos de negociação por convenção coletiva, permitindo arranjos diferenciados para setores de operação contínua, como supermercados e aviação civil.

Outra frente de articulação é a PEC do Horista, defendida por entidades empresariais como uma forma de dar segurança jurídica à contratação por hora. O argumento levado aos senadores é que, se a jornada semanal for reduzida por imposição constitucional, as empresas precisarão de instrumentos para contratar e remunerar de acordo com o período efetivamente trabalhado, reduzindo o impacto dos encargos fixos.

A avaliação no setor privado é que o custo político de simplesmente enterrar a PEC 6×1 é alto, dado o apelo popular da proposta. Por isso, a aposta agora é usar a tramitação mais lenta no Senado para transformar a eventual aprovação do fim da escala em parte de um pacote maior de flexibilização trabalhista.



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