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A decisão do governo Trump de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas tende a produzir mais ruído político e jurídico do que impacto imediato sobre bancos e grandes empresas brasileiras, embora possa acionar barreiras reputacionais, comerciais e de conformidade em operações com exposição internacional no longo prazo.

Essa a avaliação de banqueiros e executivos ouvidos pela coluna, segundo os quais o impacto seria limitado para o sistema financeiro formal e mais sensível em ambientes considerados menos rígidos. Um deles resumiu que o efeito alcançaria apenas quem, eventualmente, negociasse com PCC e CV, ressaltando que “nenhum banco” faria esse tipo de operação. Outro separou o sistema: para “bancos e empresas sérias”, não teria impacto, mas no caso de “algumas fintechs mais lenientes” a medida teria o seu valor.

Esse enquadramento também ajuda a entender o risco de maior contaminação política do caso Master. A Polícia Federal apura se dinheiro de facções criminosas estaria de alguma forma ligado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro – dinheiro este que teria passado primeiro pelo banco de Daniel Vorcaro, responsável pelo financiamento de boa parte do orçamento do filme. Nesse contexto, uma associação entre eventual lavagem de dinheiro do crime organizado e um projeto ligado à família Bolsonaro poderia transformar uma investigação financeira em ativo negativo de confiança.

Por isso, se a PF confirmar a tese de que o Banco Master lavava dinheiro de facções criminosas, o financiamento do filme pode virar um tiro no pé para Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência: em vez de fortalecer sua imagem política, a ligação com o caso pode passar a simbolizar risco, promiscuidade financeira e vulnerabilidade eleitoral. O ganho político aparentemente imediato poderá virar ‘100% da face’ de perdas até as eleições, como avaliam os executivos do mercado financeiro.

 



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