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A chave masculina de Roland Garros é uma caixinha de surpresas. O atual campeão, Carlos Alcaraz, sequer competiu por lesão, o vice, Jannik Sinner, foi eliminado ainda na segunda rodada e outros fortes candidatos ao título também ficaram pelo caminho. E de repente, todo o favoritismo cai no colo de quem sempre correu por fora: Alexander Zverev.

O alemão não é completo azarão na disputa pelo título. Muito pelo contrário, é o atual terceiro do ranking ATP, no top 3 desde setembro de 2024. Dono de 24 títulos na carreira, sendo sete de Masters 1000, é considerado o “melhor jogador da história do tênis masculino a nunca ter conquistado um Grand Slam” por John McEnroe, sete vezes campeão de Majors no simples.
Em entrevista a TNT Sports em Roland Garros, McEnroe indicou que há uma pressão muito grande sobre Sascha, como Zverev é apelidado.
“Sem [Carlos] Alcaraz, sem [Jannik] Sinner, sem [Novak] Djokovic. Esses caras são, sem dúvida, o futuro, e talvez, em certa medida, já sejam o presente. Mas, ainda assim, esta é uma oportunidade que está aí para o Sascha [Zverev] aproveitar”, afirmou o ex-tenista.
“A pressão sobre ele agora é inacreditável. Absolutamente ridículo dizer o contrário. De certa forma, há mais pressão sobre ele agora do que em qualquer torneio que ele já disputou. A pressão é ainda maior”, continuou. “Estou dizendo: ele deve estar sentindo mais pressão, vou repetir, do que em qualquer outro momento de toda a sua carreira.”
Ficou no quase
Aos 29 anos, Sascha já chegou perto de conquistar um título. Foi finalista do US Open em 2020, mas perdeu para o austríaco Dominic Thiem em cinco sets. Em 2024, alcançou a decisão de Roland Garros, e novamente disputou cinco parciais contra Alcaraz, sendo derrotado pelo espanhol. No último ano, Jannik Sinner impôs um 3 a 0 na final do Australian Open contra o alemão.
Sinner e Alcaraz, número 1 e 2 do ranking, respectivamente, são justamente as duas pedras no sapato de Zverev (e de todos os tenistas do circuito) na busca por um título de Grand Slam. Desde 2024, apenas a dupla venceu títulos de Majors.
A escrita, enfim, será quebrada em Roland Garros, já que ambos estão fora das rodadas finais. Alcaraz abriu mão de defender seu título, por conta de uma lesão no pulso, enquanto Sinner sucumbiu ao calor e ao persistente Juan Manuel Cerúndolo ainda na segunda rodada da competição.
Dez vezes semifinalista em Majors e melhor ranqueado, Zverev seria a escolha óbvia para se tornar favorito ao título diante da ausência dos líderes do ranking, mas o favoritismo se tornou ainda mais evidente com a queda de Djokovic. Depois da eliminação de Sinner, o sérvio era o único vencedor de Grand Slams sobrevivente na chave, mas o brasileiro João Fonseca aplicou uma virada histórica e impediu o 25º título de Nole, apelido de Djokovic.
Outro com chancela para desafiar Zverev era Casper Ruud, três vezes finalista de Major, sendo duas em Roland Garros. Porém, o norueguês também caiu para o Fonseca e deixou o caminho ‘livre’ para o alemão buscar o título inédito.
Sascha é o franco favorito e terá um confronto com nomes da nova geração pelo caminho. Nas quartas de final, encara o Rafael Jodar, de apenas 19 anos, em ascensão meteórica na temporada. O espanhol começou a temporada na 165ª posição do ranking, e está em 29º após conquistar seu primeiro título no ATP 250 de Marrakech, e chegar às quartas de final dos Masters de Madri e Roma.
Caso avance para a sua 11ª semifinal, enfrentará o vencedor de outro duelo de jovens talentos: Jakub Mensik, de 20 anos, e o brasileiro João Fonseca, de 19 anos.
O favorito para avançar do outro lado da chave é o canadense Félix Auger-Aliassime, cabeça de chave número 4, atual sexto do ranking mundial, mas longe de sofrer a pressão de Zverev.