O Radar mostrou, mais cedo, que a Polícia Civil deflagrou, nesta segunda, uma operação para investigar suspeitas de superfaturamento em um contrato da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil.

A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora ligada ao filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia também foi alvo. Os investigadores acreditam que pelo menos 26 milhões de reais foram pagos ao ICB sem que o serviço fosse efetivamente prestado ao município. Além disso, apontam que a PRODAM, parceira tecnológica da prefeitura, cobraria cerca de 208 reais pela instalação de cada ponto de internet, enquanto o contrato com a ONG estabelece pagamentos bem maiores.

Sobre as notícias em torno do caso, o prefeito Ricardo Nunes e a gestão municipal negaram qualquer irregularidade. A prefeitura afirma que colabora com as investigações e que todo o material, incluindo as notas fiscais e contratos, já estava disponível no sistema público SEI, tendo passado pelo crivo do Tribunal de Contas do Município.

Sobre a PRODAM, o emedebista justificou que a empresa pública não tinha capacidade para instalar os pontos nas comunidades periféricas e que o valor pago à ONG é de mercado. A gestão rebateu o superfaturamento alegando que, para 2026, o custo mensal por ponto é de 1.280 reais — valor abaixo de propostas recebidas em 2022, que passavam de 2.000 reais e 5.000 reais.

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A prefeitura garantiu que foram contratados 3.200 pontos de internet — e não 5.000 —, todos monitorados em tempo real (com apenas 52 em manutenção nesta manhã). A gestão destacou que o programa funciona normalmente e que já bloqueou 2 milhões de reais por falta de comprovação de serviços.

Por fim, a gestão rechaçou o vínculo eleitoral: afirmou que o chamamento público ocorreu em 2024, quando o documentário sobre Bolsonaro ainda não existia.

Confira a nota oficial enviada à Radar pela gestão Nunes:

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“A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.

A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.”



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