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Com cada vez mais informações que indicam a alta chance de um El Niño severo na segunda metade do ano, o Ministério do Meio Ambiente tem feito reuniões com meteorologistas a cada 45 dias para avaliar as previsões de risco de incêndio no país. 

Pesquisadores já têm sinalizado a alta probabilidade de um El Niño que estará entre as categorias forte e extra-forte. Tendo isso em vista, o governo federal começou um trabalho de prevenção. Segundo informações do O Globo, a sala de situação — que reúne diversos ministérios como a Fazenda, a Saúde e a Casa Civil — já foi acionada para discutir situações em que recursos extraordinários terão que ser movidos por causa de algum tipo de acidente climático. Reuniões mensais do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também estão em curso, em paralelo com as reuniões com os meteorologistas. 

Hoje, o Brasil tem um plano de organização melhor do que os anteriores, em comparação. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, garante a coordenação e articulação federal para o combate de ocorrências relacionadas à crise climática. 

Em 2024, ocorreram 1.250 mega incêndios em território nacional, com 4.500 brigadistas federais treinados para combatê-los, segundo André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial. Esses funcionários estão alocados em seis polos críticos: um no Pantanal, três na Amazônia e dois no Cerrado. Essas regiões são críticas e, dentro de um limite de até 300 quilômetros, os brigadistas podem operar com aeronaves, helicópteros, embarcações, caminhonetes, entre outros. 

Para o secretário, o governo já sabe como combater o desmatamento, mas não adianta chegar ao desmatamento zero se os incêndios florestais não puderem ser contidos com efetividade. Somado a isso, as mudanças climáticas, em especial o El Niño, impõem um novo desafio. 

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O secretário destaca que o governo já sabe como combater o desmatamento e tem atingido níveis recordes de controle. Mas pontua que pouco adianta chegar ao desmatamento zero se não houver condição de segurar os incêndios florestais: eles vão queimar o que sobrou. E as mudanças climáticas impõem um desafio extra à contenção do fogo.

400 milhões de reais do Fundo Amazônia foram destinados aos corpos de bombeiros dos nove estados amazônicos. Os recursos terão como objetivo equipar batalhões com materiais como EPIs para uso dos bombeiros, drones e caminhões-pipa. R$ 150 milhões também foram destinados aos estados em que estão o Pantanal e Cerrado, regiões mais críticas em caso de incêndios florestais. 

A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, porém, estabelece responsabilidade compartilhada entre os entes da federação, ou seja, não é atribuição somente do governo. A federação é responsável por 100% das ações de prevenção e controle de incêndio em suas regiões de domínio, como terras indígenas, unidades de conservação federais, parques nacionais, florestas nacionais, estações ecológicas, entre outros. Esse território é 45% da área da Amazônia e fica entre 10% a 15% de todo o restante do país. 

Ainda segundo André, R$30 milhões foram investidos em municípios críticos, para que as prefeituras possam se equipar com funcionários e equipamentos mínimos. Ainda na próxima semana, o presidente Lula deve assinar um decreto que repassa recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente para municípios, facilitando o trabalho de financiar essas iniciativas. O secretário destaca que, apesar do pouco tempo de existência da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, ela já promoveu grandes avanços no combate aos incêndios. 



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