
O governo do Irã suspendeu negociações com os Estados Unidos em protesto contra as ações de Israel no Líbano, informou nesta segunda-feira, 1º, a agência de notícias semioficial Tasnim.
“Diante da continuidade dos ataques do regime israelense no Líbano, e considerando que o Líbano era uma das pré-condições para um cessar-fogo — que agora foi violado em todas as frentes, inclusive no Líbano — a equipe de negociação iraniana está suspendendo ‘as conversas e as trocas de textos por meio de mediadores’”, informou a Tasnim.
Na manhã desta segunda, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, instruiu as forças armadas israelenses a atacar o distrito de Dahieh, um subúrbio ao sul de Beirute, após incursões e ataques no final de semana, apesar da vigência de um acordo de cessar-fogo. Um oficial israelense disse à emissora americana CNN que os planos para atacar Beirute foram coordenados com os Estados Unidos.
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Mais cedo, nesta segunda, o porta-voz Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, também acusou o governo americano de violar a trégua com Teerã através de bombardeios e voltou a condicionar qualquer acordo de paz com Washington a um cessar-fogo no Líbano.
“Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã”, afirmou Baghaei, advertindo que o Irã não hesitará em adotar medidas necessárias para proteger a sua segurança nacional.
O porta-voz reiterou que a questão nuclear — um aspecto-chave para os Estados Unidos, que demandam que o Irã abra mão do seu estoque de urânio enriquecido — não faz parte das negociações em curso. Ele disse que, no momento, a “prioridade é encerrar a guerra”, desencadeada por ataques dos EUA e Israel ao país em 28 de fevereiro.
Para além do fim dos conflitos em todas as frentes no Oriente Médio, o Irã exige suspensão de sanções, a liberação de fundos congelados e o fim do bloqueio marítimo americano ao país. Os termos incluem, ainda, reparações por danos causados pela guerra e a retirada das forças americanas de áreas próximas ao território iraniano.
A declaração de Baghaei ocorre após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que o regime iraniano concordou em não desenvolver ou comprar armas nucleares — uma alegação que não foi confirmada por Teerã até o momento.
“Então agora (o acordo) diz: ‘Não desenvolveremos nem compraremos de forma alguma uma arma militar’. Essa é uma grande diferença. Então estamos conseguindo o que queremos aos poucos — negociadores muito duros”, disse Trump à emissora americana Fox News. “Leva muito tempo. Não tenho pressa… se você tiver pressa, não vai conseguir um bom negócio.”
O republicano, no entanto, advertiu que poderá “resolver” a guerra de uma “maneira diferente” caso as tratativas fracassem, sugerindo a retomada total dos combates. Ele também disse que uma nova ofensiva pode ser realizada se o Irã propor “um acordo que não seja bom” para os EUA. O mandatário da Casa Branca alegou, mais uma vez, que as forças americanas destruíram a Marinha e a Força Aérea iranianas e acusou a imprensa de minimizar o sucesso no Oriente Médio.