Em menos de quatro anos, a Geração Z deve representar 58% da força de trabalho global, segundo projeções do Fórum Econômico Mundial (WEF). Mas justamente a geração que ocupará a maior parte dos empregos no mundo tem demonstrado uma relação cada vez mais complexa com a inteligência artificial. Embora reconheçam a importância da tecnologia para suas carreiras, os jovens relatam queda no entusiasmo e aumento do desconforto com o uso dessas ferramentas.

O cenário foi apontado pelo estudo “Vozes da Geração Z: o paradoxo da IA”, realizado pela Walton Family Foundation, GSV Ventures e Gallup. A pesquisa mostra que 48% dos jovens consideram as habilidades relacionadas à inteligência artificial essenciais para suas futuras carreiras. Apesar disso, o entusiasmo com a tecnologia caiu 14 pontos percentuais em relação à edição anterior do levantamento, enquanto sentimentos negativos, como a raiva, avançaram nove pontos.

A mudança acontece em um momento em que as empresas ampliam os investimentos em inteligência artificial. Segundo o levantamento AI Lighthouse Awards, 94% das organizações já colocam a tecnologia entre suas principais prioridades estratégicas. Ao mesmo tempo, a confiança da Geração Z na eficiência das tarefas realizadas com apoio da IA recuou para 56%, uma queda de dez pontos percentuais.

Para Darwin Grein, CEO da Juntxs, o avanço acelerado da inteligência artificial pode acabar expondo desafios que vão além da tecnologia. Segundo ele, a busca por produtividade precisa ser acompanhada por investimentos no desenvolvimento humano e emocional das equipes. “Para a Geração Z, que entra no mercado sob uma pressão de performance inédita, focar na alta produtividade, em detrimento da sustentabilidade emocional, pode resultar em distanciamento entre o colaborador e o propósito da organização. O diferencial estratégico para os próximos anos não será a ferramenta em si, mas a capacidade das lideranças de sustentar vínculos reais e investir no desenvolvimento desses grupos, em paralelo ao avanço da tecnologia”, afirma.

O desafio tende a ser ainda maior diante do encontro entre diferentes gerações dentro das empresas. Enquanto a Geração Z se torna maioria na força de trabalho, muitos cargos de liderança continuam ocupados por profissionais mais experientes, com visões distintas sobre tecnologia, produtividade e ambiente corporativo.

Nesse contexto, especialistas defendem que o sucesso da transformação digital dependerá não apenas da adoção de novas ferramentas, mas também da capacidade das organizações de construir ambientes mais colaborativos e preparados para integrar diferentes perfis profissionais. “O sucesso da integração tecnológica depende, obrigatoriamente, da qualidade da integração humana”, conclui Grein.



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