O dólar opera em baixa, nesta segunda-feira (25/5), acompanhando o recuo dos preços internacionais do petróleo, que voltaram a operar abaixo dos US$ 100 em meio à expectativa por um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
Em um dia de liquidez reduzida nos mercados por causa de um feriado nos EUA, os investidores concentram suas atenções nas negociações em torno do fim da guerra no Oriente Médio e, no âmbito nacional, monitoram indicadores como a confiança do consumidor e o Boletim Focus, relatório do Banco Central (BC) que traz projeções sobre câmbio, PIB, taxa Selic e inflação.
Dólar
- Às 9h03, a moeda norte-americana recuava 0,53% e era negociada a R$ 5,003.
- Na última sexta-feira (22/5), o dólar terminou a sessão em alta de 0,55%, cotado a R$ 5,028.
- Com o resultado, ao dólar acumula ganhos de 1,54% no mês e perdas de 8,39% no ano frente ao real.
Ibovespa
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- No último pregão, o indicador fechou em queda de 0,81%, aos 176,2 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 5,93% em maio e valorização de 9,36% em 2026.
Trump vê avanço em negociação com o Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesse domingo (24/5), que as negociações com o Irã avançam de forma “ordenada e construtiva” e indicou que não tem pressa para concluir um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Em publicação nas redes sociais, o republicano criticou o acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama e afirmou que as tratativas conduzidas por sua administração seguem na direção oposta.
“Um dos piores acordos já feitos pelo nosso país foi o Acordo Nuclear com o Irã. (…) Não é o caso da transação que está sendo negociada pela administração Trump. É exatamente o oposto”, escreveu.
Segundo Trump, os EUA manterão as restrições econômicas contra Teerã até que um eventual entendimento seja concluído. “O bloqueio permanecerá em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”, declarou.
Apesar do tom mais otimista adotado pela Casa Branca, autoridades norte-americanas continuam defendendo que qualquer entendimento deve impedir o avanço do programa nuclear iraniano.
O chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, reiterou a principal exigência de Washington nas negociações. “O Irã nunca poderá ter uma arma nuclear”, declarou.
Em sua nova manifestação sobre o tema, o mandatário norte-americano reforçou a posição de seu governo. “Eles precisam entender, no entanto, que não podem desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear”, afirmou.
Irã passará a cobrar taxa por navegação em Ormuz
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã está cobrando taxas por “serviços de navegação” a navios que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, em coletiva de imprensa, pelo porta-voz do regime, Esmaeil Baghaei.
Segundo ele, “os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, bem como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã, exigem a cobrança de certas taxas”.
Esmail informou que, no entanto, o Irã não pretende cobrar pedágio.
Nas redes sociais, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, afirmou que, “durante a guerra militar, nossa tática era olho por olho; na guerra diplomática, é ação contra ação”.
“Não acreditem no blefe do presidente fracassado; o tempo está contra os americanos. Se eles querem um acordo, devem negociar; se querem gasolina a 6 dólares, devem manter-se firmes e blefar até que a grama cresça debaixo dos seus pés. O Irã não se curva à força nem às ameaças”, escreveu Ebrahim após nova ameaça de Trump contra o país.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Preços do petróleo caem forte
O preço do petróleo abriu a semana em queda, recuando mais de 5% após avanços nas negociações entre EUA e Irã. As tratativas podem resultar em uma trégua de 60 dias no conflito no Oriente Médio e incluir a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global da commodity.
Por volta das 8h25 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para julho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) tombava 5,86% e era negociado a US$ 90,94.
No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) registrava perdas de 5,77%, a US$ 97,57.
Na sessão de sexta-feira, o petróleo fechou em alta. O barril do tipo WTI subiu 0,26%, a US$ 96,60, enquanto o brent avançou 0,94%, a US$ 103,54.