Um áudio de um amigo do atleta de fisiculturismo e influenciador Gabriel Ganley, que foi encontrado morto no sábado (23), revelou os bastidores que antecederam a morte do jovem, aos 22 anos.

morte precoce do jovem atleta gerou grande repercussão nas redes sociais e no meio do fisiculturismo após ser confirmada pela Integral Médica, empresa de suplementação esportiva da qual fazia parte.

Em publicação neste domingo (24), a mãe do atleta, Clarisse Ganley descreveu a partida do filho como uma “fatalidade” e afirmou que a família, amigos, atletas, parceiros, patrocinadores e treinadores estão se apoiando em meio ao “momento de tanta dor”.

Até o momento, a causa oficial do que levou Ganley a óbito não foi divulgada.

Na gravação a qual a CNN teve acesso, o amigo de Ganley diz que o atleta aplicou insulina na noite de sexta-feira (22), levando a um quadro de hipoglicemia – condição em que os níveis de açúcar (glicose) no sangue caem abaixo do normal.

Ainda no áudio, esse amigo comenta que após isso o atleta dormiu, não acordando mais.

“Ele aplicou insulina ontem à noite. E começou a ter hipoglicemia. E, nessa, ele dormiu. E não pode, tá ligado? (sic) Ele dormiu, não acordou mais“, disse.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas para controle da glicose, e o uso exógeno, em forma de injeção, é recomendado apenas para pacientes diabéticos.

Entretanto, o medicamento é comumente usado por atletas de fisiculturismo devido a seu poder altamente anabólico, facilitando o transporte de glicose, aminoácidos e creatina para dentro das células musculares. Com isso, associada a dieta e treino, a recuperação muscular pós treino é maximizada, junto com o armazenamento de energia (glicogênio) no músculo, promovendo o crescimento mais rápido e evitando a perda de massa.

A aplicação sem indicação e orientação médica pode acarretar riscos como a hipoglicemia, condição em que os níveis de açúcar no sangue caem abaixo do normal, gerando fraqueza, confusão mental e até desmaios. Em casos mais graves, pode levar a morte.

Segundo a médica endocrinologista Juliane Baptista Braziliano, o uso recreativo por meio dos atletas para fins de performance e estética não é seguro e pode levar a graves consequências como a morte.

“Essas medicações não são seguras para esses fins (…) muitas pessoas estão utilizando diversas medicações, sem recomendação e acompanhamento médico, apenas com o intuito de performance, arriscando a própria saúde e a própria vida”.

Juliane Baptista Braziliano, médica endocrinologista

 

Morte súbita

A morte de Ganley é investigada como suspeita, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

A SSP afirmou que a vítima foi localizada por um amigo, e que “não foram encontrados sinais aparentes de violência no local”.

Uma perícia foi realizada no local e o caso foi registrado como “morte suspeita – morte súbita.

Em situações como essa, o registro de morte suspeita não significa, necessariamente, indício de crime, mas sim de classificação utilizada quando a causa da morte ainda não está esclarecida e depende de exames periciais para ser determinada.

Quem era Ganley?

Fenômeno nas redes sociais, o atleta tinha mais de um milhão e meio de seguidores e ganhou notoriedade com o público jovem compartilhando sua rotina de treinos e dieta.

Carioca, o “bebêzinho”, como era conhecido, ganhou notoriedade com o público jovem compartilhando sua rotina de treinos e dieta.

Nas redes sociais, ele somava mais de um milhão e meio de seguidores.

Antes de começar a gravar vídeos para a internet, o atleta chegou a cursar Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 



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