A recente e trágica perda do bebê Léo, filho da influenciadora digital Lulu Ty na 38ª semana de gestação, acendeu um alerta sobre complicações graves na reta final da gravidez.
A principal hipótese médica para o óbito do feto, que nasceu sem vida na maternidade, é um infarto placentário extenso associado à trombofilia. O caso reacendeu o debate sobre o monitoramento da vitalidade do feto durante a gravidez e a importância de exames específicos após perdas gestacionais.
De acordo com o médico Itaércio Fernandes, especialista em Acretismo Placentário, o problema acontece quando a placenta sofre uma redução drástica na circulação de sangue.
Em casos graves e agudos, a única saída para tentar salvar o bebê é a realização de um parto de emergência. No entanto, quando a condição evolui de forma silenciosa, o exame anatomopatológico pós-parto torna-se a principal ferramenta para proteger futuras gestações.
O que é o infarto placentário e como ele age?
O infarto placentário caracteriza-se pela morte de tecidos da placenta devido à falta de oxigenação e nutrientes causadas pela obstrução dos vasos sanguíneos. Embora pequenos focos sejam comuns e assintomáticos, grandes extensões comprometem diretamente a vida do feto.
“O infarto placentário corresponde a áreas da placenta que sofreram redução importante da circulação sanguínea, e aparecem como áreas hiperecóicas (‘esbranchadas’) no ultrassom, sinalizando uma redução de função daquele território placentário. Pequenos focos podem ocorrer sem grande repercussão clínica, mas infartos extensos estão associados à insuficiência placentária, restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia e sofrimento fetal”, explica Dr. Itaércio Fernandes
Quando o parto de emergência é indicado?
Nos casos em que o sofrimento fetal por insuficiência placentária aguda é detectado a tempo nos exames hospitalares ou de rotina, a interrupção imediata da gravidez passa a ser o protocolo padrão para evitar a hipóxia (falta de oxigênio no cérebro do bebê) e o óbito.
Segundo o especialista, a decisão baseia-se em critérios médicos rigorosos. “A indicação de parto de emergência depende da idade gestacional, da viabilidade fetal e principalmente da presença de sinais de sofrimento fetal agudo, entre eles: alterações importantes da cardiotocografia; bradicardia fetal persistente; desacelerações tardias repetitivas; Doppler fetal gravemente alterado. (…) Em muitos casos, principalmente quando há risco iminente de hipóxia fetal, o parto cesáreo de emergência torna-se a via mais segura para preservar a vida materna e fetal.”
Exame da placenta é a chave para o futuro reprodutivo
Quando a perda gestacional ocorre sem um diagnóstico prévio, como no relato da influenciadora Lulu Ty – que realizou exames de pré-natal uma semana antes do parto e tinha um bebê saudável -, a análise clínica da placenta após o nascimento torna-se indispensável. Ela funciona como um rastreador biológico do que deu errado.
“O exame anatomopatológico da placenta é uma ferramenta extremamente importante após perdas gestacionais, prematuridade grave ou complicações obstétricas relevantes. A placenta funciona como um verdadeiro ‘registro biológico’ da gestação, podendo revelar alterações que ajudam a compreender a causa do desfecho obstétrico. A análise microscópica pode identificar: infartos placentários extensos; tromboses; inflamações e infecções; alterações genéticas”, afirma Fernandes.
De acordo com o especialista, são os dados obtidos pelo exame que podem mudar completamente o manejo de uma próxima gravidez, permitindo que os médicos entrem com terapias preventivas (como o uso de anticoagulantes no caso de trombofilias) desde as primeiras semanas.
“Em muitas situações, o diagnóstico permite classificar a gestação seguinte como de maior risco e estabelecer medidas preventivas precoces, contribuindo diretamente na redução de riscos e consequentemente proporcionando melhores desfechos das futuras gestações”, finaliza.
*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil