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A família do treinador gaúcho Luiz Felipe Scolari, o Felipão do Penta em 2002 e da vergonha do 7 a 1 de 2014, veio da província de Verona, no Vêneto, canto de Romeu Montéquio e Julieta Capuleto. Bisneto de italianos, ele nunca escondeu o tipo mercurial, falante e sincero. Carlo Ancelotti, o atual técnico da seleção, nasceu em Reggiolo, comuna da região da Emília-Romanha. Também é conhecida pelas certezas de suas decisões, o tom assertivo, embora um pouco mais doce. Um e outro, sem dúvida, prestaram bons serviços para a canarinho – e de Ancelotti espera-se que leve o Brasil ao hexa na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá.
Difícil comparar a dupla – a não ser a coincidência de ambos terem comandado a amarelinha e também o Chelsea, da Inglaterra. Mas há, sim, um outro modo de cotejá-los, e Felipão sai ganhando. Ele foi muito mais corajoso do que Ancelotti ao deixar Romário em casa, na convocação para a Copa de 2002. O clamor pelo “baixinho” do Vasco, em excelente forma, apesar dos 36 anos, era até violento. Na véspera da apresentação do rol, cerca de 50 manifestantes acuaram o treinador ao entrar na sede da CBF, no Rio. Romário pediu calma. Felipão nem quis saber, e nada de pôr o camisa 9 do Tetra na lista final. “Ganhando ou perdendo, a escolha seria minha. Prefiro passar por bode expiatório e resolver com a minha cabeça a resolver com a dos outros e ser crucificado da mesma maneira. Não ganhou, está morto igual”, disse Scolari, ao responder se não temia ser culpado por um eventual insucesso no Mundial por decidir, contra o grito da opinião pública, não convocar Romário. Queria um atacante mais explosivo, e tinha a chance de poder contar com Ronaldo, além de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo – nomes que Ancelotti não têm à mão. E então chamou Neymar, 34 anos, fora de forma, com uma contusão na panturrilha, em gesto incoerente. O treinador sempre disse que só levaria Neymar caso ele estivesse 100% bem fisicamente. Não está. No embate entre os italianos, portanto, Scolari bate Ancelotti.