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Líderes de diferentes correntes religiosas têm explicitado que ainda há uma falta de consenso em relação às próximas eleições presidenciais. O pedido de dinheiro que o senador Flávio Bolsonaro fez ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai dividiu particularmente alguns segmentos evangélicos.
Bispos, pastores e ‘ministros’ de igrejas se mostram indecisos entre as candidaturas de Flávio e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União). Além disso, lideranças há importantes lideranças que ainda alimentam a esperança de ver a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na disputa.
Ministro da Assembleia de Deus, o pastor Elizeu Rodrigues confirma que as igrejas se dividem entre os candidatos do PL e do União. “Os nomes mais citados são os do Flávio Bolsonaro e do Ronaldo Caiado”, afirma ele.
Em março, antes da divulgação do áudio de Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro, o pastor Samuel Ferreira, que comanda a Convenção Nacional das Assembleias de Deus, já havia manifestado apoio a Caiado.
As relações entre o candidato do PL e o banqueiro só ampliou a divisão. Elizeu destaca que essa divisão, independentemente da polêmica , deve se manter até um eventual segundo turno. “Acredito que o nome de centro ou de direita que for para o segundo turno terá apoio de praticamente todos evangélicos”, diz.
Para o pastor Guaracy Júnior, um dos líderes da Igreja do Evangelho Quadrangular, uma terceira alternativa ainda pode surgir. “Se der ‘bronca’ na candidatura do Flávio, entendo que a próxima peça seria a Michelle”, ressalta o religioso. “Os evangélicos veem a ex-primeira-dama como uma pessoa mais inocente, mais pura, embora sem perspicácia política”, acrescenta.
Doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, Helena Raquel de França Costa, professora do Instituto para Missões Católicas, diz que a ex-primeira-dama é a política que teria o maior arco de apoio entre os evangélicos caso se candidatasse ao Planalto. “Michelle Bolsonaro tem mais desenvoltura que o marido dela, é mais expressiva na comunidade evangélica, tem mais credibilidade que os filhos de Jair Bolsonaro”, afirma.
A professora ressalta que a divisão entre as várias correntes evangélicas é natural nesse momento e acredita que, mais adiante, a maioria estará unida em torno de um candidato, principalmente se esse candidato tiver o aval de Jair Bolsonaro. “A polarização no Brasil hoje é tão forte que, independentemente do candidato que for enfrentar a esquerda, haverá uma união em torno dele”, afirma.
Vários líderes religiosos têm adotado um tom de cautela diante das revelações do envolvimento de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Vorcaro. “Por enquanto, não vou fazer juízo de valor por vazamentos seletivos, pois sou vítima dessas porcarias”, ressalta o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pastor Silas Malafaia.