A DPU (Defensoria Pública da União) afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro Alexandre de Moraes não pode atuar no julgamento da ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de coação no curso do processo por pressionar ministros da Corte e autoridades brasileiras.

Nas alegações finais apresentadas ao Supremo, a defesa sustenta que Moraes seria a “principal vítima” das condutas atribuídas ao ex-parlamentar e, por isso, estaria impedido de julgar o caso.

“Sem imparcialidade, o que se tem não é julgamento, mas exercício de poder puro e simples. E poder sem legitimidade, no Estado Democrático de Direito, é arbitrariedade”, afirmou a DPU na manifestação.

A peça foi protocolada após a PGR (Procuradoria-Geral da República) pedir a condenação de Eduardo Bolsonaro por articular sanções internacionais contra ministros na tentativa de interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a denúncia, Eduardo atuou junto a integrantes do governo dos Estados Unidos para defender medidas contra autoridades brasileiras, incluindo sanções contra Moraes e integrantes da Corte.

A defesa também questiona a forma de citação de Eduardo Bolsonaro. Segundo a DPU, o ex-deputado estava nos Estados Unidos em endereço conhecido e, portanto, deveria ter sido citado por carta rogatória, e não por edital.

A atuação da própria Defensoria ocorreu sem contato direto com o parlamentar. “Defesa meramente formal não é defesa. É aparência de defesa”, escreveu.

No mérito, a defesa afirma que as declarações públicas e articulações políticas atribuídas a Eduardo não configuram o crime de coação no curso do processo.

A DPU sustenta que não houve “grave ameaça” no sentido jurídico exigido pelo Código Penal e afirma que as manifestações do deputado estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.

Primeira Turma do STF aceitou em novembro do ano passado, denúncia apresentada pela PGR contra Eduardo. Votaram pelo recebimento da acusação os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Depois, em fevereiro, o Supremo formalizou a abertura da ação penal.

Com a apresentação das alegações finais da PGR e da defesa, o processo agora pode ser liberado para julgamento.



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