O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou à CNN Brasil que uma renegociação ampla das dívidas rurais pode acabar reduzindo a oferta de crédito ao agronegócio. Segundo ele, propostas que incluam produtores adimplentes ou imponham limites generalizados para juros do crédito rural podem levar bancos privados a restringirem financiamentos ao setor.

“Nós não podemos deixar um texto ser aprovado no Congresso que pegue toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação. Porque nós podemos criar um problema de restrição de crédito”, disse.

A declaração ocorre em meio às negociações entre governo e Congresso sobre o projeto de renegociação das dívidas rurais (PL 5122/23), que prevê alongamento de prazo, carência maior e criação de um fundo garantidor para produtores endividados.

Segundo Durigan, o risco é maior nas operações feitas com bancos privados.

“Se o agricultor tem um contrato com o banco privado e esse contrato vai ser incluído numa renegociação sem que os bancos tenham acordo, tenham sido ouvidos, nós podemos criar um problema de restrição de crédito”, disse.

O ministro também criticou propostas que estabeleçam um teto amplo para os juros do crédito rural.

“Se você vier num grande projeto e disser assim: toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio tem que ser limitada a 10%, 12%, como se chegou a conversar, o que vai acontecer é um tiro no pé do agronegócio”, afirmou. “Os bancos vão dizer: ‘não, eu não consigo dar crédito nesse patamar, eu não vou dar crédito’.”

Apesar das críticas ao texto atual, Durigan disse que o governo aceita discutir mudanças para ajudar produtores inadimplentes.

“Eu topo fazer uma renegociação atuada com o Congresso Nacional que você estenda prazo, altere o Manual de Crédito Agrícola para que a gente faça caber no bolso desse agricultor”, afirmou. “Dá para mexer em carência, dá para mexer em prazo.”



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *