A polícia britânica, que investiga Andrew Mountbatten-Windsor, renovou o apelo para que as pessoas se apresentem com informações sobre alegada má conduta relacionada ao irmão mais novo do rei Charles III.
A polícia do Vale do Tâmisa afirmou nesta sexta-feira (22) que está examinando “diversos aspectos de suposta má conduta” após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos EUA, de arquivos relacionados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, e que está conversando com “várias” testemunhas.
Além das alegações de má conduta, a polícia afirmou estar investigando relatos de que uma mulher foi levada a um endereço em Windsor em 2010 “para fins sexuais”. Em fevereiro, a polícia já havia declarado estar ciente desses relatos e que estava avaliando as informações.
Os investigadores entraram em contato com os representantes legais da mulher e disseram que o caso seria “levado a sério e tratado com cuidado” caso ela desejasse se apresentar.
“Reconhecemos o quão difícil pode ser falar sobre experiências dessa natureza, e qualquer contato com a polícia será guiado pelos desejos dela, quando e se ela se sentir pronta e capaz de fazê-lo”, disse a polícia em seu comunicado apelando por testemunhas.
O chefe assistente de polícia do Vale do Tâmisa, Oliver Wright, disse que a investigação será “complexa”, pois os detetives estão analisando uma “quantidade significativa de informações”.
“Estamos empenhados em conduzir uma investigação minuciosa em todas as linhas de investigação razoáveis, independentemente de onde elas nos levem”, disse Wright. “Encorajamos qualquer pessoa que tenha informações a entrar em contato conosco.”
A Polícia do Vale do Tâmisa afirmou que também está apoiando outras forças policiais em todo o país no contato com vítimas e sobreviventes de Epstein e apelou para que qualquer pessoa com informações relevantes se apresente.
“Sempre que estiverem prontos para dialogar conosco, nossa porta estará sempre aberta”, diz o comunicado.
Mountbatten-Windsor, anteriormente Príncipe Andrew, Duque de York, foi preso sob suspeita de má conduta em cargo público em 19 de fevereiro, após revelações sobre seu relacionamento com Epstein.
Ele não foi acusado e nega todas as alegações de irregularidades, insistindo que nunca testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do qual Epstein é acusado.
A atualização da polícia ocorreu um dia depois de o governo britânico divulgar documentos que concluíram que não havia provas de que Mountbatten-Windsor tivesse sido investigado antes de sua nomeação como enviado comercial do Reino Unido em 2001.
Mountbatten-Windsor renunciou uma década depois devido aos seus laços com Epstein, que havia sido condenado em 2008 por aliciar uma menor para prostituição.
Como enviado comercial, Mountbatten-Windsor viajou pelo mundo e se encontrou com figuras importantes do mundo empresarial e governamental. Anteriormente, a polícia havia declarado que estava avaliando se ele compartilhou informações confidenciais com o financista desonrado durante o período em que ocupou o cargo não remunerado.
O ex-príncipe foi o primeiro membro da família real britânica na história moderna a ser preso, um desenvolvimento extraordinário na longa controvérsia sobre seus laços com Epstein. A polícia também fez buscas em sua casa em Sandringham, Norfolk, no leste da Inglaterra, e em sua antiga residência em Royal Lodge, em Berkshire. Ele foi liberado “sob investigação” ainda no mesmo dia.
Mountbatten-Windsor foi destituído de seu título real no ano passado, numa tentativa do rei de proteger a família real do escândalo.