
O novo presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, assume o comando do Federal Reserve (Fed) em cerimônia marcada para as 12h (horário de Brasília). Ele inicia o mandato sob pressão tanto da guerra no Oriente Médio quanto do próprio presidente dos EUA, Donald Trump, que tentou derrubar o antecessor de Warsh em busca de cortes nos juros.
O Federal Reserve, banco central americano, possui um mandato duplo: controlar a inflação e manter um nível saudável de emprego. Esse modelo busca evitar que o Fed eleve os juros a patamares excessivamente altos para conter a inflação, a ponto de provocar recessão e aumento do desemprego.
Diante desse cenário, Kevin Warsh deve encontrar uma diretoria mais rígida em relação aos juros por causa da guerra no Oriente Médio. O conflito provocou uma disparada de 45% nos preços do petróleo, segundo dados da Investing.com. O movimento reacende as preocupações inflacionárias e pode obrigar o Fed a manter ou até elevar as taxas de juros.
Na última ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), os dirigentes do banco central americano decidiram retirar a expressão “easing bias” do documento, termo que indicava a possibilidade de cortes de juros nas próximas reuniões.
Alguns membros do Fed afirmaram, em entrevistas coletivas, que existe a possibilidade de votar por uma alta dos juros diante de um mercado de trabalho ainda aquecido, especialmente se os preços continuarem avançando em razão da guerra no Oriente Médio.
A inflação nos Estados Unidos, medida pelo Consumer Price Index (CPI), encerrou abril de 2026 em 3,8% no acumulado de 12 meses. O resultado representou a maior alta anual desde maio de 2023. Além disso, o dado reforça que a inflação americana segue acima da meta de 2% ao ano.
Já a economia dos EUA criou 115 mil empregos em abril, número bem superior à expectativa do mercado, que projetava abertura de 65 mil vagas. Apesar disso, a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, enquanto os salários avançaram 0,2%.
Em tese, o Fed teria espaço para elevar os juros, já que a inflação segue acima da meta e o mercado de trabalho permanece resiliente. Ainda assim, os investidores evitam cravar se a autoridade monetária realmente promoverá novas altas até o fim de 2026.
Segundo a plataforma FedWatch, a maioria dos analistas (58%) estima que a taxa de juros nos Estados Unidos permanecerá na faixa atual, entre 3,5% e 3,75% ao ano, até a reunião de 28 de outubro. Para o encontro de 9 de dezembro de 2026, 42,4% projetam manutenção dos juros no nível atual. Por outro lado, 41,1% apostam em uma elevação de 0,25 ponto percentual, levando o Fed Funds para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Essa divisão no mercado ocorre porque parte dos investidores acredita que a guerra no Oriente Médio deve terminar em breve e que a atual pressão inflacionária será temporária. Outra ala avalia que um prolongamento do conflito poderá gerar impactos mais duradouros sobre a inflação, forçando o Fed a elevar os juros.
Dessa forma, o futuro de Kevin Warsh pode ser resumido em uma palavra: pressão. De um lado, a aceleração da inflação pode obrigar o banco central americano a subir os juros. Do outro, Donald Trump segue pressionando por cortes nas taxas, criando um ambiente de tensão para a nova gestão do Fed.