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Manifestantes invadiram um hospital e incendiaram tendas médicas na cidade de Rwampara, no nordeste da República Democrática do Congo, na quinta-feira 21, depois que autoridades congolesas se recusaram a entregar o cadáver de uma vítima de Ebola que eles queriam enterrar por conta própria, disseram testemunhas à agência de notícias Reuters.

A multidão ateou fogo a duas tendas equipadas com oito camas administradas pela instituição de caridade médica ALIMA, antes que os reforços do exército e da polícia chegassem para controlar a situação. Em resposta, a polícia disparou tiros de advertência e gás lacrimogêneo para conter os manifestantes.

As tendas foram completamente queimadas, junto com um corpo que deveria ser enterrado naquele dia. Além disso, seis pacientes que estavam recebendo tratamento no local precisaram ser transferidos para o hospital.

Os manifestantes exigiam o corpo de Eli Munongo Wangu, um conhecido jogador de futebol que integrava várias equipes da região. Segundo os pais do atleta, não foi o vírus do Ebola que o matou, mas sim a febre tifóide.

Os médicos, no entanto, garantiram que o jovem estava infetado com o vírus e insistiram que enterros seguros são cruciais para conter a doença, pois o Ebola pode se espalhar por contato direto com os corpos das vítimas. Apesar dos protestos, as autoridades o enterraram durante a madrugada desta sexta-feira, 22.

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Surto de Ebola

A confusão ocorreu em um momento em que as autoridades lutam para conter o mais recente surto de Ebola no leste do Congo, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que havia 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas ligadas ao vírus, algumas delas, também, em Uganda. O hospital invadido na quinta-feira fica perto de Bunia, na província de Ituri, a região mais afetada pela epidemia.

Segundo um político local, citado pela imprensa britânica, os habitantes da região congolesa não acreditam na existência do Ebola e consideram a doença uma invenção de estrangeiros criada por organizações humanitárias para obter dinheiro e outros apoios.

A desconfiança e a desinformação dificultaram a resposta a surtos anteriores no Congo. Centenas de centros de saúde foram atacados por grupos armados e civis durante o contágio de 2018-2020 na província de Kivu do Norte, que foi o segundo mais mortal já registrado, com quase 2.300 mortes.



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