O presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Galassi, defendeu, nesta quarta-feira (20), uma reformulação do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), com uma revisão do modelo atual dos vales-alimentação e vales-refeição que ofereça maior interoperabilidade entre bandeiras e redução de custos no sistema.
A Abras argumenta que o modelo vigente concentra o mercado de benefícios em poucas empresas e gera custos elevados para o varejo e para empregadores.
A entidade defende ainda mudanças que ampliem a liberdade de escolha para empresas e trabalhadores e aumentem a competição entre os operadores do sistema.
Segundo o setor de supermercados, a modernização do PAT pode influenciar a dinâmica de consumo de alimentos no país, especialmente em um cenário de renda mais pressionada e maior sensibilidade a preços.
Durante o Apas Show, o presidente da entidade avaliou que alterações no sistema de benefícios têm impacto direto sobre o fluxo de compras no varejo alimentar.
Galassi afirmou que “benefício tem que beneficiar quem trabalha”, ao defender a revisão do modelo atual.
O presidente da associação também defendeu uma mudança gradual nas regras da jornada de trabalho no Brasil, como foco na discussão que envolve o possível fim da escala 6×1.
Dentro dessa proposta, o setor argumenta que a carga atual de 44 horas semanais deve ser mantida durante o período de transição.
A avaliação é de que alterações abruptas no regime de jornada podem afetar a operação de atividades essenciais e o custo do trabalho no varejo alimentar, por isso o projeto prevê um período de adaptação que pode variar entre seis e dez anos até a implementação da escala 5×2.
O presidente da associação argumentou ainda que supermercados operam com funcionamento contínuo e alta dependência de mão de obra, o que exigiria ajustes graduais em caso de mudança estrutural.
A Abras também associa o debate à chamada “PEC do Horista”, que prevê modelos de contratação por carga horária reduzida.
“Modelo permitiria incorporar milhões de trabalhadores hoje na informalidade, especialmente motoristas de aplicativo e entregadores, ao sistema formal de trabalho”, explicou a entidade.
Para Galassi, o modelo atual não acompanha mudanças no setor de trabalho. A associação cita mais de 5 milhões de trabalhadores ligados a plataformas digitais como parte do argumento para ampliação de formatos flexíveis de contratação.
O segmento de supermercados também relaciona a discussão da jornada a impactos sobre o preço ao consumidor, ao sustentar que mudanças sem período de adaptação podem pressionar custos operacionais.