
Ler Resumo
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo de Belarus, Alexander Lukashenko, se reuniram em videoconferência para monitorar testes envolvendo armas de capacidade atômica nesta quinta-feira, 21, no maior exercício nuclear russo desde o fim da Guerra Fria. Embora seja comum que autoridades militares participem de exercícios semelhantes com certa frequência, essa foi a primeira vez que os chefes de Estado acompanharam a operação de perto.
“Hoje, como parte dos exercícios, estamos realizando o primeiro treinamento conjunto dos exércitos russo e bielorrusso na gestão de forças nucleares estratégicas e táticas”, disse Putin na abertura da reunião, que foi transmitida ao vivo através do site do Kremlin.
Os exercícios militares conjuntos entre Moscou e Minsk tiveram início na terça-feira, 19, com o objetivo de praticar a coordenação e interação entre oficiais militares em caso de uso de armas atômicas. Segundo Lukashenko, as operações são de natureza defensiva e sua única finalidade é preparar as forças armadas para manusear o aparato nuclear, uma vez que quem possui tais bombas “deve saber como utilizá-las”.
+ Europa responderá ‘com força’ às ameaças ‘inaceitáveis’ da Rússia, alerta von der Leyen
Putin, por sua vez, afirmou que a capacidade de se utilizar armas nucleares através de terra, mar e ar é a “confiável garantia da soberania do Estado da União da Rússia e Belarus” em meio ao aumento das tensões globais. No entanto, o mandatário também garantiu que qualquer uso de armamento atômico será uma “medida extrema e excepcional para garantir a segurança nacional”.
O Ministério da Defesa russo divulgou vídeos dos testes. As imagens mostram veículos lançadores de mísseis atravessando uma floresta, caças-bombardeiros e jatos de combate com capacidade nuclear decolando, além de navios e submarinos no mar.
“As formações e unidades militares das forças de mísseis estratégicos, realizaram medidas para colocar suas forças em prontidão para executar tarefas de combate que envolvam lançamentos de mísseis. Como parte do exercício das forças nucleares, munições nucleares foram entregues às instalações de armazenamento de campanha da área de posicionamento da brigada de mísseis na República da Bielorrússia”, destacou a pasta.
🇷🇺⚡️– Russia’s Ministry of Defence releases footage of their nuclear forces exercises.
A Yars intercontinental ballistic missile was fired during the drill.
The Russian Navy launched a Zircon hypersonic missile and a Sineva ballistic missile from the Barents Sea.
A strategic… pic.twitter.com/Mef3C3qvlC
— MonitorX (@MonitorX99800) May 21, 2026
A condução dos exercícios nucleares gerou preocupação nos países ocidentais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e na Ucrânia, nação que está em guerra contra Moscou desde 2022. Kiev tem acusado repetidamente o governo russo de planejar uma nova ofensiva contra o território ucraniano a partir de Belarus e, devido a isso, reforçou as medidas de segurança ao longo da fronteira.
Embora os comentários de Putin e Lukashenko pareçam ter o objetivo de amenizar as preocupações ocidentais, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não se furtou em afirmar que os exercícios tinham a intenção de transmitir uma mensagem. “Qualquer exercício faz parte do desenvolvimento militar, e qualquer exercício é um sinal”, disse ele a repórteres nesta quinta.
Segundo Moscou, este é um dos maiores exercícios nucleares realizados em anos, envolve 64 mil pessoas e tem como objetivo treinar suas forças na “preparação e uso de forças nucleares em caso de agressão”.