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O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira, 21, que aceitará a oferta dos Estados Unidos de fornecer US$ 100 milhões em ajuda humanitária, depois do seu governo anunciar que o país está sem combustível.

A escassez é resultado direto do cerco da gestão Donald Trump à ilha caribenha, que essencialmente bloqueou a exportações de petróleo a Havana por meio de sanções, com objetivo de pressionar por uma mudança de regime em Cuba, onde comunistas castristas estão no poder desde que o falecido Fidel Castro liderou a revolução cubana em 1959.

“Se o governo dos Estados Unidos estiver realmente preparado para fornecer ajuda nos montantes anunciados — e em plena conformidade com as práticas universalmente reconhecidas para assistência humanitária — não encontrará obstáculos nem ingratidão por parte de Cuba, por mais inconsistente e paradoxal que tal oferta possa parecer a um povo que esse mesmo governo dos Estados Unidos submete sistematicamente e impiedosamente a punições coletivas”, escreveu o presidente cubano no X (ex-Twitter).

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia anunciado a oferta na semana passada, mas disse que as autoridades cubanas a recusaram. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, chegou a dizer que seu governo não tinha conhecimento da proposta e acusou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos de mentir, mas Rubio veio a público novamente na quarta-feira 20 para afirmar que o pacote continua válido.

De acordo com o Departamento de Estado, os suprimentos podem ser distribuídos pela Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes nas quais os Estados Unidos confiam. A assistência a Havana esteve na pauta das discussões entre Rubio e o papa Leão XIV em uma reunião no Vaticano no início deste mês. Díaz-Canel, por sua vez, declarou que a colaboração com a Santa Sé sempre foi “rica e produtiva” e elencou as prioridades do pacote de ajuda: “Elas são mais do que evidentes: combustível, alimentos e medicamentos”.

Ainda não estão evidentes outras possíveis contrapartidas que o acordo entre os países engloba. Apesar disso, Rubio afirmou nesta quinta que a probabilidade de um acordo pacífico e negociado entre os países não é alta nesse momento.

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Falando a repórteres, o secretário de Estado afirmou que Washington sempre prefere uma solução negociada e pacífica, mas, sem detalhar a que tipo de acordo se referia afirmou que “a probabilidade de isso acontecer, considerando com quem estamos lidando agora, não é alta. Mas se eles mudarem de ideia, estamos aqui. E, enquanto isso, continuaremos fazendo o que for necessário”.

Ele acrescentou que “o futuro de Cuba pertence ao seu povo, mas a ameaça à segurança nacional” diz respeito aos Estados Unidos. “Se houver ameaça à segurança, Trump é obrigado a resolver”, acrescentou.

Crise econômica e humanitária

A economia de Cuba, que vem sofrendo um declínio acentuado há vários anos, atingiu o fundo do poço, e a população tem enfrentado escassez, apagões e os efeitos do colapso da infraestrutura. A economia está praticamente paralisada há mais de um ano.

Ainda assim, a situação na ilha podia piorar muito, o que pode ter influenciado a decisão do governo cubano de aceitar a ajuda dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o ministro da Energia do país afirmou que o governo ficou completamente sem combustível e diesel, justamente quando começa o verão quente da ilha.

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“Não temos absolutamente nenhum combustível, não temos absolutamente nenhum diesel”, disse Vicente de la O Levy na televisão estatal na noite de quarta 20.

Naquela noite, protestos eclodiram em Havana, em reação aos apagões de até 48 horas em alguns bairros da cidade durante esta semana.

Os problemas energéticos de Cuba não são novos e devem-se, em grande parte, à falta de manutenção de usinas de energia obsoletas. Além disso, a ilha perdeu recentemente seus fornecedores regulares de petróleo, em consequência de ações dos Estados Unidos. A Venezuela interrompeu o envio de remessas gratuitas depois que forças americanas detiveram o ditador Nicolás Maduro em janeiro, e o México fez o mesmo após Trump assinar uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos países que vendem combustível a Havana.

Entre as vias diplomática e militar

O aceite da ajuda americana por Díaz-Canel ocorre em um momento em que as negociações com Washington estão estagnadas. Na quarta-feira, Rubio disse não acreditar pudesse haver grandes mudanças em Cuba com a atual liderança, sinalizando um crescente ceticismo dentro do governo Trump de que o caminho da pressão e da diplomacia podem persuadir o governo comunista a colaborar.

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O secretário de Estado, filho de cubanos que imigraram à Flórida, vinha liderando negociações informais com membros da família Castro, particularmente com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, sobrinho-neto de Fidel. As articulações para alçar um governo mais maleável ao poder por vias paralelas, posteriormente, se transformaram em conversas diplomáticas oficiais.

O governo Trump ofereceu a Cuba ajuda humanitária, internet gratuita e importantes acordos econômicos, mas também exigiu a substituição do presidente em exercício, Díaz-Canel, libertação de presos políticos e abertura política, entre outras questões cruciais, como a resolução de reivindicações sobre propriedades americanas confiscadas pelo governo cubano quando Fidel Castro chegou ao poder em 1959 e nacionalizou empresas estrangeiras.

Até o momento, porém, autoridades locais têm reiterado que o governo da ilha não fará concessões políticas ou mudanças de regime, embora esteja pronto para uma grande abertura econômica.

Em paralelo, depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações formais por homicídio contra Raúl Castro, o ex-presidente cubano de 94 anos, começaram especulações de que as forças americanas poderiam realizar uma operação militar de extração em Havana, da mesma forma que fizeram contra Maduro em janeiro. Díaz-Canel denunciou a manobra como uma ação de motivação política e “mentirosa”.

De acordo com o portal de notícias Politico, Trump e seus assessores estão cada vez mais frustrados com o fato da campanha de pressão não ter levado os líderes cubanos a concordarem com reformas econômicas e políticas significativas. Por isso, passaram a considerar a opção militar com mais seriedade do que antes. “O clima definitivamente mudou”, afirmou uma autoridade ao portal. O presidente cubano alertou que qualquer incursão militar americana resultaria em um “banho de sangue”.



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