Manifestantes ligados a movimentos estudantis, sindicatos e entidades da educação realizaram, nesta quarta-feira (20/5), um grande protesto contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), na zona oeste de São Paulo.
O ato começou no Largo da Batata, em Pinheiros, por volta das 14h, e seguiu em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, passando por importantes vias da cidade, como as avenidas Cidade Jardim e Morumbi.
Durante a manifestação, participantes também queimaram um boneco e uma cabeça representando Tarcísio. Apostilas criticadas pelos estudantes também foram incendiadas em meio a palavras de ordem contra a atual gestão.
Segundo os organizadores, cerca de 30 mil pessoas participaram da manifestação, marcada por críticas às políticas educacionais do governo paulista e às recentes tensões envolvendo universidades estaduais, como as greves nas Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A marcha avançou até o limite estabelecido pela Polícia Militar (PM), nas proximidades do Palácio. O local contou com forte presença policial, incluindo agentes do Batalhão de Choque, e houve momentos de tensão durante o trajeto, com relatos de confusão envolvendo policiais e pessoas classificadas por participantes do ato como “provocadores”.
Com bandeiras, tambores e faixas, estudantes, professores e movimentos sociais permaneceram por grande parte da noite na região, ocasionando lentidão no trânsito e reforçando o tom político do ato, que teve o governador de São Paulo como principal alvo.
Comissão de negociação
Por volta das 20h30, foi negociado com a PM o envio de uma comissão, composta por seis estudantes das três universidades estaduais, dois advogados e pela deputada estadual Monica Seixas (PSol).
Os integrantes foram recebidos pela chefe de gabinete da Secretaria da Casa Civil, Maria Sílvia Zanella. Entre as reivindicações apresentadas, estavam:
Até a publicação desta matéria, não havia sido divulgado o resultado das negociações.
Greve dos estudantes na USP
- A paralisação de estudantes da USP teve início no dia 15 de abril, como forma de apoio ao movimento de servidores e em protesto por melhores condições de permanência estudantil.
- Mais de 105 cursos aderiram à greve em diferentes unidades, incluindo os campi do Butantã, na zona oeste, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste, além do Largo São Francisco, do Quadrilátero da Saúde, no centro, e unidades do interior.
- Entre as principais reivindicações, estão a melhoria na qualidade dos restaurantes universitários, o fim de processos de privatização, a garantia de espaços estudantis e o aumento do auxílio para o valor de um salário mínimo paulista.
- Estudantes também cobram isonomia nas políticas de valorização dentro da universidade, apontando diferenças entre os reajustes destinados a docentes, servidores e alunos.
Influenciador agredido
Durante a manifestação de estudantes das universidades estaduais paulistas contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), uma confusão chamou atenção após o influenciador e empresário Robson Calabianqui, conhecido nas redes sociais como Fuinhar, se envolver em uma discussão com manifestantes. O criador de conteúdo tem mais de 1 milhão de seguidores e já foi candidato a deputado federal por São Paulo em 2022.
O tumulto aconteceu na Avenida Brigadeiro Faria Lima e terminou com empurra-empurra, troca de socos e intervenção da Polícia Militar. Segundo apuração do Metrópoles, Fuinhar estava acompanhado por seguranças quando começou a discutir com participantes do ato. Vídeos gravados no local mostram manifestantes cercando o grupo em meio a provocações, gritos e ameaças. Em determinado momento, um dos manifestantes tentou avançar contra o influenciador e acabou sendo atingido por um soco dado por um dos seguranças, caindo no chão.
Tarcísio criticou greve dos estudantes: “Não entra na minha cabeça”
O governador Tarcísio de Freitas falou sobre a greve dos estudantes da USP na tarde do dia 5 de maio e afirmou que a paralisação não entra na cabeça dele. Segundo o governador, a mobilização tem “cunho político” e representa uma “perda de oportunidade” aos alunos.
“Eu sei que um dia eu vou estar no mercado de trabalho e o mercado vai cobrar. Então, eu quero o máximo de ferramenta. Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes”, criticou o governador, que é pré-candidato à reeleição ao governo estadual.
A declaração foi feita durante uma agenda no Palácio dos Bandeirantes, onde ele anunciou investimentos em rodovias do interior paulista. Além de falar em “perda de oportunidade” dos alunos, ele saiu em defesa da “autonomia universitária” para fazer a distribuição e a alocação dos recursos financeiros.
“Tem uma questão da autonomia universitária. Então, a gente não entra nas questões de gestão. A universidade tem autonomia para fazer a distribuição e a alocação de recursos. Seu orçamento tem sido assim ao longo do tempo e eu acredito que esse é o modelo que funciona”, afirmou o governador.
O comentário faz referência à pauta grevista de isonomia salarial levantada por funcionários e alunos após uma gratificação de R$ 4.500 ser aprovada para professores que desenvolverem projetos considerados estratégicos pela universidade.
A bonificação custará R$ 239 milhões anuais ao orçamento da USP e beneficiará apenas professores, enquanto estudantes lutam por melhores condições de permanência e os funcionários reivindicam melhores condições de trabalho.
Protestos recentes
Na noite de quarta-feira (13/5), um grupo de estudantes das três universidades estaduais realizou outro protesto, na Avenida Paulista. O ato também foi organizado pelo DCE da USP e teve falas, faixas e cartazes contra a gestão do governador Tarcísio.
Os manifestantes – cerca de 2 mil, segundo a organização do evento – cobraram respostas da Reitoria da USP sobre pautas ligadas ao auxílio de permanência estudantil e melhores condições dos restaurantes universitários, além de questionarem a ação de desocupação realizada pela PM na madrugada do Dia das Mães (10/5).
No ato, estiveram presentes figuras como a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) – que chegou a fazer um discurso no início da manifestação – e os deputados estaduais Eduardo Suplicy (PT), Guilherme Cortez (Psol), Paula Nunes (Psol) e Ediane Maria (Psol). Servidores públicos e professores da rede municipal, que mais cedo realizaram outro ato contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB), também se uniram à passeata dos estudantes.
Os alunos entoaram palavras de ordem e discursos contra a administração da universidade, partindo da Avenida Paulista em direção à Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.






















