As “agruras” do senador Flávio Bolsonaro com pesquisas de intenção de voto são culpa dele mesmo, e de mais ninguém. Entende-se que campanhas eleitorais apelem nessas horas, quando pesquisas indicam o óbvio, para desculpas como perseguição politica ou injustiça. Porém, é o óbvio que acaba se impondo.
Nesse caso, o da capacidade de manchar reputações trazida pelo escândalo que domina no momento o clima político nacional. E domina por um motivo também óbvio.
O STF (Supremo Tribunal Federal) pode ter apagado com canetadas a operação Lava Jato, mas não o que é uma grande insatisfação popular em relação a um sistema – sobretudo o político – visto como corrupto e incapaz de trazer respostas para os graves desafios que o país enfrenta.
O senador ungido pelo chefe do clã Bolsonaro como candidato a encerrar décadas do PT no poder mentiu para a própria campanha, escondeu fatos de seus corregilionários e resolveu brigar também com o humor do eleitorado.
Isso indica pouca inteligência política, para se dizer o mínimo. A noção de que não precisa fazer muito para ganhar a eleição, basta ser anti-Lula e anti-PT.
Embora o antilulismo e o antipetismo sejam forças relevantes – assim como o antibolsonarismo – o que uma avaliação de questões subjetivas indica a respeito do eleitorado é um cansaço e um desânimo muito grandes.
Uma espécie de humor sombrio – um tipo de frustração diante de anseios de mudança que no fundo não se realizam, mesmo com as trocas de poder trazidas pelas duas últimas eleições. É aí que a candidatura de Flávio está mesmo patinando.