Belo Horizonte — Adalton Martins Gomes, de 45 anos, preso sob suspeita de matar a namorada, a estudante de psicologia Giovanna Neves Santana Rocha, de 22, é servidor público federal do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e já chegou a ser demitido da instituição após um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Segundo nota enviada pelo órgão ao Metrópoles, Adalton ocupa o cargo de técnico em tecnologia da informação e atuava no campus Nova Gameleira, em Belo Horizonte. A instituição informou ainda que o servidor estava em licença médica até o último dia 6 de maio e não exercia regularmente as atividades desde então.
Ainda conforme o Cefet, em abril deste ano, a direção do campus solicitou uma avaliação da capacidade laboral do servidor, mas ele não compareceu à perícia agendada.
O Cefet-MG também revelou que Adalton foi demitido da instituição em 2018, após um PAD conduzido com base na Lei nº 8.112, de 1990. A infração cometida pelo servidor não foi especificada pela instituição.
Em 2020, no entanto, uma decisão judicial determinou a reintegração dele ao quadro de servidores. A instituição informou que recorreu da decisão e que o processo segue em tramitação.
“O Cefet-MG repudia toda forma de violência, manifesta solidariedade aos familiares e amigos da vítima e reforça que os fatos investigados são de responsabilidade individual do suspeito, cabendo às autoridades competentes a apuração e responsabilização nos termos da lei”, disse a instituição.
Tentativa de simular suicídio
Adalton é apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito de matar Giovanna dentro do apartamento em que o casal vivia, na Savassi, região Centro-Sul da capital mineira.
A jovem foi encontrada morta em 9 de fevereiro. Segundo a investigação, a cena do crime foi montada para simular um suicídio, com frascos de medicamentos espalhados pelo imóvel.
“A cena estava toda estruturada como se fosse suicídio”, afirmou a delegada Ariadne Coelho, do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), durante coletiva concedida nessa terça-feira (19/5).
O laudo de necropsia, contudo, apontou que Giovanna morreu por asfixia mecânica por sufocação. Segundo a polícia, o suspeito teria usado o histórico de depressão da estudante para sustentar a falsa versão de suicídio.
Herança
As investigações apontam ainda que o homem tentou oficializar uma união estável logo após a morte da jovem, em uma tentativa de assumir o controle do apartamento onde o casal morava e de cerca de R$ 200 mil que Giovanna tinha em conta.
O suspeito foi preso temporariamente na última sexta-feira (15/5), dentro do apartamento da vítima. Conforme a PCMG, ele continuava vivendo no imóvel e impedia a entrada da família da jovem.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Adalton Martins Gomes. O espaço segue aberto.