
A fabricante de brinquedos Estrela, ícone do setor no Brasil, entrou em recuperação judicial nesta quarta-feira, 20, com uma dívida declarada de aproximadamente 109 milhões de reais. No pedido, a companhia diz que a reorganizaão reflete não apenas dificuldades internas, mas também os desafios estruturais da indústria de brinquedos, marcada pela concorrência internacional, especialmente dos produtos chineses que dominam cerca de 60% do mercado, além das pressões cambiais e da necessidade constante de inovação.
Segundo Renato Scardoa, especialista em recuperação judicial, a crise da Estrela impacta toda a cadeia de valor — de fornecedores de matérias-primas e embalagens até distribuidores e varejistas — e simboliza os obstáculos de um setor que enfrenta mudanças profundas no perfil do consumidor e na dinâmica competitiva global. “O setor enfrenta um ambiente de negócios complexo: concorrência internacional acirrada, com produtos chineses dominando cerca de 60% do mercado; aumento das importações diretas e do e-commerce, que facilitam a entrada de itens sem certificação; e oscilações cambiais que elevam custos de insumos importados. Soma-se a isso a necessidade de inovação constante para atrair crianças nativas digitais, atender à tendência dos “kidults” e responder à demanda por brinquedos sustentáveis, em um cenário de redução gradual do público infantil.”, diz.