
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu à acusação formal do ex-presidente Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, por assassinato anunciada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 20. Em comunicado, Díaz-Canel afirmou que se trata de uma “ação política, sem qualquer fundamento legal, que busca apenas reforçar a tese que estão fabricando para justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba”. A movimentação ocorre em meio à escalada das tensões entre Washington e Havana.
“Os EUA estão mentindo e manipulando os eventos que cercam a queda dos aviões pertencentes à organização narcoterrorista Irmãos ao Resgate”, disse o líder cubano na declaração.
“A estatura ética e o espírito humanista de sua atuação refutam quaisquer acusações caluniosas dirigidas ao general do Exército Raúl Castro. Como líder guerrilheiro e como estadista, ele conquistou o amor de seu povo, além do respeito e da admiração de outros líderes da região e do mundo. Esses valores são sua melhor defesa e um escudo moral contra a ridícula tentativa de diminuir sua estatura como herói”, acrescentou.
Castro, de 94 anos, apareceu em público pela última vez em Cuba no início deste mês. Não há evidências de que ele tenha deixado a ilha desde então, ou de que o governo permita sua extradição. Importante figura na revolução cubana, ele ajudou a derrotar a invasão americana da Baía dos Porcos, em 1961, e serviu como ministro da Defesa por décadas. Sucedeu seu irmão como presidente em 2008 e deixou o cargo oito anos atrás, mas permanece uma figura poderosa nos bastidores da política cubana.
+ EUA acusam formalmente ex-presidente cubano Raúl Castro de assassinato
Entenda acusação
O indiciamento, apresentado em um tribunal federal em Miami em 23 de abril, acusa Castro de conspiração para matar cidadãos americanos, quatro assassinatos e destruição de aeronaves. Outras cinco pessoas também são rés no caso, que remonta ao abate fatal de aviões operados pelo grupo humanitário Hermanos al Rescate (irmãos ao resgate, na tradução livre), em 1996, de acordo com o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche. Em fevereiro daquele ano, caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba derrubaram duas aeronaves desarmadas, pertencentes ao grupo fundado por exilados cubanos, em espaço aéreo internacional, resultando na morte de quatro pilotos.
Na época, o governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à invasão do espaço aéreo do país. Fidel Castro disse que seus militares agiram sob “ordens permanentes” para abater aviões que violassem os céus de cuba — e garantiu que o irmão Raúl, então ministro da Defesa, não deu uma ordem específica para atirar. No entanto, além dos Estados Unidos, a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu posteriormente que o abate ocorreu em águas internacionais.
“Minha mensagem hoje é clara: os Estados Unidos e o presidente Trump não se esquecem e não se esquecerão de seus cidadãos”, disse Blanche em um evento no centro de Miami que prestou homenagem às vítimas do incidente nesta quarta.
A acusação surge em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, aumenta a pressão por uma mudança de regime em Cuba, onde os comunistas de Castro estão no poder desde que seu falecido irmão, Fidel, liderou a revolução cubana em 1959. Washington efetivamente impôs um bloqueio à ilha caribenha ao ameaçar com sanções países que exportam combustível para lá. A medida provocou apagões generalizados e prejudicou ainda mais sua frágil economia, levando os cubanos às ruas.