
O avanço dos preços e o cenário internacional mais turbulento aumentaram a pressão sobre a equipe econômica que reviu a expectativa de inflação para 2026 de 3,7% para 4,5%, no teto da meta. Para o coordenador de finanças do Insper, Ricardo Rocha, o discurso mudou: “A gente se recorda que, um mês atrás, o ministro da Fazenda falava em um outro Brasil. Não tinha nada a ver com a guerra. Só que a gente está no contexto global”, afirmou. Segundo ele, o governo foi obrigado a reconhecer que “o gato subiu no telhado” diante da combinação entre tensão internacional e pressão sobre as contas públicas.
Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o cenário inflacionário tende a permanecer desconfortável. Ele acredita que a inflação pode superar as projeções oficiais e se aproximar de 5% neste ano, pressionada principalmente pelos combustíveis e pelos alimentos, afetados também pelos efeitos climáticos do El Niño. Para Vale, esse ambiente torna o trabalho do COPOM ainda mais difícil. “Vai ter o momento de que vai ter que parar essa queda de juros… não vai dar pra cair juros com muita intensidade esse ano”, disse. A expectativa do economista é de que a taxa Selic encerre o ano ao redor de 13,5%.