Belo Horizonte — A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre a morte de Rafael Garcia Pedroso, de 31 anos, assassinado a tiros em março deste ano, em Frutal, no Triângulo Mineiro, e indiciou Marcos Antonio da Silva Neto, de 19 anos, pelo crime de homicídio qualificado.

O caso ganhou repercussão nacional porque Marcos afirmou à defesa que matou o homem que assassinou sua mãe, Glauciane Cipriano da Silva, há dez anos, quando ele tinha apenas 8 anos. “Vi minha mãe ser morta”, teria dito o jovem aos advogados ao confessar o crime.

Segundo a PCMG, o investigado foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A corporação também representou pela conversão da prisão temporária em preventiva. Marcos segue foragido.

O procedimento já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, responsáveis pelas próximas etapas do processo.

Rafael Garcia Pedroso foi morto em 31 de março deste ano, em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Carlos Alberto Vieira, no bairro Novo Horizonte, em Frutal.

De acordo com as investigações, Marcos desceu da garupa de uma motocicleta e efetuou cinco disparos contra Rafael, que estava parado em outra moto. A vítima morreu no local.

Após o crime, o jovem fugiu.

Trauma começou na infância

O assassinato remonta a um caso de feminicídio ocorrido em 2016. Na época, Rafael matou Glauciane Cipriano da Silva, então companheira dele e mãe de Marcos, durante a cavalgada de abertura da ExpoFrutal.

Segundo relatos da defesa, o menino, que tinha apenas 8 anos, presenciou toda a cena. Glauciane foi morta com dezenas de facadas diante dos três filhos pequenos.

Após o crime, Marcos e os irmãos passaram a ser criados pela avó materna, em Frutal.

Rafael chegou a ser condenado pelo feminicídio, mas o julgamento foi posteriormente anulado. Em janeiro deste ano, ele passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Defesa diz que jovem queria se entregar

Os advogados de Marcos afirmam que ele tentou se apresentar espontaneamente à polícia desde os primeiros dias após o homicídio, mas alegam que houve entraves jurídicos e logísticos.

Segundo a defesa, o jovem pediu apoio psicológico antes de prestar depoimento por estar emocionalmente abalado.

Em entrevista anterior ao Metrópoles, o advogado José Rodrigo de Almeida relatou que Marcos chorou ao ver uma foto da mãe no celular. “Ele sente muita raiva quando vê a foto da mãe”, disse.



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