O avanço dos data centers no interior de São Paulo já começa a alterar o perfil de consumo de energia elétrica da CPFL Energia. Em entrevista à CNN Infra, o CEO da companhia, Gustavo Estrella, disse que a demanda de eletricidade desse segmento cresceu 24% entre 2025 e 2026, impulsionada principalmente pela instalação de estruturas voltadas à inteligência artificial e serviços de computação em nuvem na região da Grande Campinas.

Segundo o executivo, o movimento ajudou a compensar o efeito negativo provocado pelas temperaturas mais baixas neste trimestre, que reduziram o consumo em outras classes de clientes dentro da área de concessão da distribuidora.

“Quando a gente compara só o crescimento de data centers, o crescimento foi de 24% de 2025 para 2026”, afirmou Estrella. “O consumo, em megawatt, representa 8% da classe comercial”, acrescentou.

Os números mostram que, embora ainda tenha peso relativamente pequeno no total do mercado, o segmento já exerce influência relevante sobre o crescimento da carga. De acordo com a companhia, o consumo do mercado comercial avançou 2,9% no período, sendo que aproximadamente 1,4 ponto percentual desse aumento veio da demanda de data centers.

O fenômeno acompanha uma tendência global de aceleração do consumo elétrico provocado pela expansão da infraestrutura digital. O crescimento da inteligência artificial generativa elevou significativamente a necessidade de processamento computacional, exigindo centros de dados maiores, com alta densidade energética e funcionamento contínuo, 24 horas por dia e sete dias por semana..

Além dos servidores, essas instalações também demandam grandes sistemas de refrigeração para dissipar o calor gerado pelos equipamentos. Em alguns projetos de IA, o consumo de energia de um único campus pode se aproximar da demanda de cidades inteiras de médio porte.

A região de Campinas se tornou um dos principais polos brasileiros para esse tipo de empreendimento devido à proximidade com a capital paulista, disponibilidade de fibra óptica, presença de grandes empresas de tecnologia e acesso relativamente favorável à energia elétrica. No entanto, o próprio sucesso dessa expansão já começa a gerar gargalos.

“Nossa área de concessão fica no interior de São Paulo, onde há uma grande demanda de data center, mas infelizmente não conseguimos conectar todos, já que temos algumas restrições em nossa rede de distribuição, mas principalmente nas redes de alta tensão de transmissão. Então a gente acaba não conseguindo instalar todos os pedidos que chegam”, disse Estrella.

O executivo frisa que o principal desafio não está apenas na rede da distribuidora, mas também na infraestrutura de transmissão em alta tensão, responsável por levar grandes blocos de energia até os centros de carga.

O tema já entrou no radar do planejamento energético nacional, especialmente diante da necessidade de ampliar linhas de transmissão, subestações e capacidade de conexão para suportar projetos de alta demanda elétrica.



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