O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desembarcou em Pequim nesta terça-feira (19) para sua 25ª visita oficial à China, onde se reuniu com Xi Jinping. O encontro ocorre em menos de uma semana após a cúpula entre o líder chinês e Donald Trump, consolidando a capital chinesa como palco central das grandes negociações geopolíticas do momento.

Para o analista Lourival Sant’Anna, no CNN Prime Time, a posição da China nesse cenário é de clara vantagem. “O fato de esses dois atores, Estados Unidos e Rússia, terem iniciado conflitos e não saberem como sair deles os torna frágeis perante a China”, afirmou fazendo referência a guerra no Irã e na Ucrânia. Ele destacou ainda fatores como a dependência de minerais críticos e questões econômicas como elementos que reforçam essa fragilidade.

Lourival Sant’Anna traçou uma analogia histórica para descrever a postura de Xi Jinping. “Como os velhos imperadores do Império do Centro, que recebem as nações tributárias que vêm pedir favores, ele se colocou acima”, disse o analista, lembrando que, no encontro com Trump, a poltrona do líder americano ficava simbolicamente abaixo da de Xi, “numa espécie de trono”.

Segundo o analista, a mesma lógica se aplica à visita de Putin. A Rússia, pressionada por sanções e limitações geográficas, necessita vender energia à China como uma de suas poucas alternativas. “É a Rússia que está pedindo para vender energia para a China, e não o contrário”, afirmou Lourival Sant’Anna.

Disputa pelo preço do gás domina negociações

Um dos pontos mais sensíveis da agenda é a questão energética. Atualmente, um gasoduto entre os dois países transporta 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, e há negociações para ampliar esse volume para 44 bilhões. Além disso, discute-se a construção de um novo gasoduto, o Power of Siberia 2, com capacidade para 50 bilhões de metros cúbicos anuais — volume equivalente ao que a Rússia fornecia à Europa antes de invadir a Ucrânia e sofrer sanções.

No entanto, há uma discordância central: enquanto a Rússia deseja vender o gás a preços próximos ao de mercado, a China exige condições equivalentes ao preço subsidiado praticado internamente no país russo.

“O Putin pode protestar à vontade, mas ele depende muito mais de fornecer essa energia para a China do que ao contrário”, avaliou Lourival Sant’Anna. O analista ressaltou ainda que a China mantém diversas opções de fornecimento de energia, o que reduz sua dependência em relação à Rússia e fortalece sua posição nas negociações.



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