
A polícia do Reino Unido anunciou nesta terça-feira, 19, que investiga duas denúncias de abuso sexual infantil ligadas a Jeffrey Epstein, bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes que cometeu suicídio na prisão em 2019. Os casos foram citados em arquivos sobre Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e teriam ocorrido em Surrey e Berkshire, na Inglaterra, entre o final da década de 1980 e 2000.
“Nenhuma prisão foi efetuada. Levamos todas as denúncias de crimes sexuais a sério e trabalharemos para identificar quaisquer linhas de investigação razoáveis para verificar as informações ou obter provas corroborativas”, informou a polícia de Surrey, que fez apelos por informações após um relatório do FBI, em fevereiro, alegar “tráfico humano e agressões sexuais contra uma menor em Virginia Water, Surrey, entre 1994 e 1996”.
Epstein conviveu com milionários de Wall Street, membros da realeza (notadamente, o príncipe Andrew) e celebridades antes de se declarar culpado de exploração sexual de menores em 2008. As acusações que o levaram à prisão em 2019 ocorreram mais de uma década após um acordo judicial que o protegia. Ele foi encontrado morto por enforcamento pouco mais de um mês após parar atrás das grades.
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Amizade de Trump e Epstein
Como promessa de campanha, Donald Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que faz parte de uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.
A a relação entre os dois é antiga: eles faziam parte de círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida. Em 2002, Trump disse à revista New Yorker que o financista era “fantástico” e “muito divertido de se estar por perto”. Ele também contou que a dupla se conhecia há 15 anos, acrescentando: “Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do tipo mais jovem”.
Em novembro, o republicano sancionou uma lei que libera a divulgação, pelo Departamento de Justiça americano, dos arquivos do caso Jeffrey Epstein. O projeto foi aprovado antes pelo Congresso americano. Foi uma reviravolta repentina para quem passou meses evitando o assunto como quem espera que apenas desapareça, em meio a evidências cada vez mais expressivas da sua amizade com Epstein.