
Depois da revelação de que o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro e dono do Master, Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, petistas acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que a exibição do filme seja proibida, argumentando que seria uma forma de fazer propaganda eleitoral antecipada. Nesta terça, 19, o senador admitiu que se encontrou pessoalmente com Vorcaro depois da sua primeira prisão.
A representação é assinada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, e pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho, presidente do Grupo Prerrogativas, e Reinaldo Santos de Almeida. A ação pede que seja proibida a “exibição, distribuição, pré-estreia, publicidade, impulsionamento, veiculação de trailers patrocinados, eventos promocionais e circulação coordenada do filme ‘Dark Horse’”, desde a pré-campanha até o fim de um eventual (porém provável) segundo turno.
“A circulação de uma cinebiografia política de Jair Bolsonaro no coração do calendário eleitoral pode produzir efeito eleitoral irreversível. Uma superprodução audiovisual, com orçamento multimilionário, estrelada por ator internacional e financiada por recursos de origem controvertida, tem capacidade de influenciar a agenda pública, mobilizar eleitores, reativar bases políticas e gerar vantagem comunicacional não contabilizada”, diz trecho da representação.
Além de proibir a exibição do longa, a ação também pede que a Justiça Eleitoral investigue o fluxo financeiro de produção do Dark Horse. O valor solicitado por Flávio a Vorcaro supera várias superproduções hollywoodianas. Os 61 milhões de reais que o banqueiro efetivamente desembolsou para financiar o filme foram pagos através de um fundo nos Estados Unidos, gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Essa movimentação já está sendo investigada pela Polícia Federal.
“A divergência pública entre pedido de financiamento, pagamentos noticiados e negativa de recebimento pela produtora pode indicar pagamento por interpostas pessoas, remessa indireta, uso de fundo estrangeiro, quitação de despesas laterais, contratos paralelos, contabilidade informal, ocultação de beneficiário final ou lavagem de dinheiro”, diz outro ponto da representação enviada ao TSE.