
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou, nesta terça-feira, 19, que está “profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia” de Ebola, que avança no leste da República Democrática do Congo.
Segundo autoridades locais, o número de mortes suspeitas já chegou a pelo menos 134, enquanto os casos suspeitos ultrapassam 500. Até a manhã desta terça, o total de mortes estava em cerca de 100.
O cenário preocupa especialistas por diferentes motivos. Além da disseminação da doença estar avançando a passos largos, há registros de casos em áreas urbanas, mortes entre profissionais de saúde e intensa circulação populacional na região afetada. Parte do território também enfrenta instabilidade causada pela atuação de grupos armados, o que dificulta as ações de contenção.
Outro fator que preocupa é a cepa do vírus. O Ebola circulou por semanas sem ser identificado porque os primeiros testes investigavam cepas mais comuns da doença e deram negativo. Só depois foi confirmado que o surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara para a qual ainda não existem vacinas ou medicamentos aprovados.
Vacinas e “paciente zero”
Enquanto tenta conter o avanço da epidemia, o Congo aguarda o envio de doses da vacina experimental ChAdOx1, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford. O imunizante foi projetado para combater formas mais comuns do Ebola, como as variantes do Zaire e do Sudão. A informação é da agência Associated Press (AP).
O virologista Jean-Jacques Muyembe afirmou que as autoridades pretendem iniciar a vacinação mesmo sem garantias de eficácia específica contra a cepa Bundibugyo. “Vamos administrar a vacina e ver quem desenvolve a doença”, declarou à AP.
A diretora da equipe da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou que outra possibilidade em análise é o uso da vacina Ervebo, aprovada para um tipo diferente de Ebola. Ainda assim, ela alertou que qualquer imunizante disponível levaria cerca de dois meses para chegar às áreas afetadas. “Não acredito que em dois meses teremos superado esse surto”, opinou.
As autoridades de saúde ainda tentam identificar o chamado “paciente zero”, primeiro caso da cadeia de transmissão. Até o momento, a origem exata do surto permanece desconhecida.
O Ebola é uma doença viral grave, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas, vômitos, diarreia e, em casos mais graves, hemorragias. Dependendo da variante do vírus e do acesso ao tratamento, a letalidade pode chegar a 90%.