Flávio Bolsonaro esconde a fragilidade de sua situação invocando a Deus para não perder apoio entre os evangélicos e reunindo-se com os donos das maiores fortunas do país para que não lhe falte dinheiro a ser gasto em campanha. Com sobras de dinheiro, caso não se eleja presidente, atravessará os próximos quatro anos sem enfrentar maiores dificuldades.

No vídeo divulgado ontem em seu perfil no X, Flávio contou que, no ano passado, seu pai lhe perguntou se ele estaria preparado para ser alvo de ataques durante a campanha. E ele respondeu: “Pai, estou preparado. Esse é um propósito de Deus. Nada vai tirar isso da gente, porque há muita gente sofrendo, o Brasil está sofrendo”. Flávio também afirmou que não possui ambição pessoal em relação ao cargo: “Não é por mim, eu não tenho vaidade nenhuma de ser presidente da República. Acho que é uma questão de sobrevivência do país”. E disse sobre seu pai: “Ele já foi acusado de tanta coisa, mas sempre esteve certo”.

Sempre esteve certo em quê? Ao defender que a população se armasse para garantir a autodefesa das famílias e a soberania nacional? Bolsonaro argumentava que civis armados evitariam a imposição de uma ditadura no Brasil e preservariam a democracia. Ele estava certo ao ficar contra as medidas de isolamento adotadas para impedir o avanço da pandemia da covid-19? Ou em retardar a compra de vacinas e prescrever o uso de drogas ineficazes? Por fim, Bolsonaro esteve certo ao tentar dar um golpe de Estado para não largar o poder?

São perguntas que Flávio jamais responderá diretamente, sob pena de rasgar a fantasia do “Bolsonaro bonzinho” que o país tanto esperou para ver. Flávio prefere dançar, postar vídeos e empurrar com a barriga definições que em breve lhe serão cobradas. É impensável que alguém se eleja presidente sem dizer com relativa clareza como pretende governar. A exceção foi seu pai, e deu no que deu. A história só se repete como farsa, e, quando isso acontece, vira tragédia.

De Flávio, hoje em Brasília, deputados, senadores e candidatos do PL vão querer ouvir explicações sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Será que eles devem esperar mais alguma surpresa? Por que Flávio não lhes contou que era amigo de Vorcaro e que lhe pedira dinheiro para financiar um filme de exaltação ao seu pai, a ser lançado às vésperas da eleição? Onde foram parar os R$ 60 milhões que Vorcaro lhe deu, se os produtores do filme insistem em dizer que nunca os receberam? Cadê a cláusula de confidencialidade que haveria no contrato firmado com o ex-banqueiro? Por que seu irmão Eduardo primeiro negou e depois confirmou ter sido um dos gestores financeiros do filme?

Perguntas ao vento, respostas vazias que não convencerão ninguém, encontro que não resultará em grande coisa. Vox populi, vox Dei, que significa “a voz do povo é a voz de Deus”. Aguardemos as novas pesquisas de intenção de voto.

 

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