O mundo encerrou o ano de 2025 com 2,5 bilhões de barris de petróleo em reservas estratégicas, segundo levantamento da EIA (Administração de Informação Energética dos Estados Unidos).

As reservas estratégicas nacionais são criadas para garantir a segurança energética das nações em situações emergenciais, como uma guerra. A cifra mundial é o equivalente ao que os 10 países que mais consomem petróleo no mundo queimariam em 39 dias e 12 horas.

Mas esses bilhões de barris de petróleo não estão distribuídos igualmente pelo globo. Países como as Filipinas afirmaram, após o início do conflito dos Estados Unidos e de Israel com o Irã, que tinham estoques limitados do combustível, uma vez que o país asiático importa quase 100% do que usa de países do Golfo Pérsico.

E à medida que o conflito se alonga além do esperado – como destacado por relatório da StoneX de sexta-feira (15) – e o Estreito de Ormuz segue fechado, cresce o alarde para um choque de oferta de petróleo mais drástico, podendo se tornar em escassez concreta de combustíveis.

“As três agências globais de energia adaptaram esta semana suas previsões de oferta e demanda, considerando a perspectiva de que a guerra com o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz se prolonguem por mais tempo do que o inicialmente previsto”, escreve Tom Pawlicki, especialista sênior de inteligência de mercado da StoneX.

Fatih Birol, diretor-executivo da AIE (Agência Internacional de Energia), disse na segunda-feira (18) que os estoques comerciais de petróleo estão se esgotando rapidamente, restando apenas algumas semanas de reservas devido o cenário no Oriente Médio.

Birol, que participa da reunião doe ministros de Finanças do G7 em Paris, disse a jornalistas que a liberação de reservas estratégicas de petróleo adicionou 2,5 milhões de barris de petróleo por dia ao mercado, mas ressaltou que essas reservas “não são infinitas”.

O que ressoa pelo mercado é como o conflito está cada vez mais incerto, o que tem bagunçado as estimativas feitas pelos analistas.

“A S&P Global Ratings acredita que existe um alto grau de imprevisibilidade em relação à duração e à escala da guerra no Oriente Médio e seu potencial efeito sobre os preços das commodities, as cadeias de suprimentos, as economias e as condições de crédito”, diz relatório do final de abril da agência de classificação de risco.

“Como resultado, nossas projeções básicas apresentam um grau significativo de incerteza. À medida que a situação evolui, avaliaremos a materialidade macroeconômica e de crédito de possíveis mudanças e reavaliaremos nossas projeções de acordo.”

Segundo a S&P, conflito colocou em risco imediato as exportações iranianas de aproximadamente 1,5 milhão a 2 milhões de barris por dia, que continuaram a transitar por Ormuz durante a fase inicial das hostilidades. O relatório acrescenta que os mercados perderam um total acumulado de 1,1 bilhão de barris desde março, com base em estimativas de volumes de petróleo bruto e condensado interrompidos e retidos – quase metade daquelas reservas citadas no início da reportagem.

E apesar das reservas estratégicas, o déficit global de consumo de petróleo permanece girando entre 6 milhões e 7 milhões de barris por dia, aponta Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da Stonex.

O especialista destaca como o corte de fornecimento gerado pela guerra “resultou em uma queda significativa dos estoques globais”.

“Esse cenário evidencia que a política de liberação dos estoques estratégicos não tem sido suficiente para compensar integralmente a redução da oferta proveniente do Golfo Pérsico”, pondera.

Apesar de uma nova proposta de paz pelo Irã ter sido enviada através do Paquistão aos Estados Unidos, o mercado segue cético em relação à possibilidade de um acordo definitivo entre as partes.

“Caso haja avanço efetivo nas conversas de paz a partir da proposta enviada pelo Irã, podemos observar uma nova pressão baixista sobre os preços. Caso contrário, a tendência é de continuidade da alta, diante do estresse crescente no balanço global de oferta e demanda, especialmente com o conflito já se aproximando de três meses de duração”, aponta Cordeiro.

Os impactos tendem a se intensificar a cada dia que o Estreito de Ormuz permanece fechado, ainda mais considerando o fato de que a retomada das operações seria gradual e a normalização teria um delay.

“Haverá mais por vir se o Estreito permanecer fechado”, alertou o CEO da ExxonMobil, Darren Woods.

Com informações de Reuters



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