A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 19, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) perdendo fôlego na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o vazamento de áudio em que pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, veio cercada também de uma grande polêmica.

Ainda na noite de segunda-feira, antes de os resultados serem divulgados, perfis de direita e representantes da candidatura de oposição questionavam o instituto AtlasIntel por ter apresentado aos entrevistados o áudio em que Flávio conversa com o banqueiro. Na gravação, o presidenciável do PL cobra o banqueiro por parcelas atrasadas de um repasse milionário que ele teria que fazer para a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O PL entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a impugnação da pesquisa, por meio da concessão de uma liminar, em razão de “danos irreparáveis”.

Segundo o partido, o “questionário não possui perguntas neutras”. “Das 48 perguntas, 8 (oito) tratam, em claro induzimento, do suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master. E mais: as indagações são trazidas em uma ordem muito específica. O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura. Essa cadeia produz contexto, não mera medição” afirma.

O partido também diz que o levantamento pode desvirtuar o debate eleitoral. “A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. 8. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, diz na representação.

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“Instituto de pesquisa que influencia a pesquisa é o que? Nem pesquisa é…”, postou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Até as 7h45 desta terça-feira, o presidenciável Flávio Bolsonaro não havia se manifestado.

Também ontem à noite, o CEO do instituto AtlasIntel, Andrei Roman, se defendeu. “O áudio e reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais”, afirma. “A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global”, completa.

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A pesquisa, feita entre os dias 13 e 18 de maio, mostra que Lula abriu uma vantagem de quase treze pontos no primeiro turno e de seis pontos no segundo, após a divulgação do áudio. A pesquisa é a primeira entre os grandes institutos a fazer todas as entrevistas após o episódio, que tornou-se um dos mais fundamentais até agora da pré-corrida eleitoral.

Foram ouvidos 5.032 entrevistados. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-06939/2926.

Leia aqui a matéria sobre os resultados da pesquisa.

 





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