A poucos meses da eleição, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta endereçar os seus esforços para a área em que é mais mal avaliado no atual mandato: a segurança pública. Depois de lançar, na última terça-feira, 12, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com promessa de 11 bilhões de reais em investimentos em equipamentos e tecnologia para as forças de segurança, o Planalto promoveu nesta segunda-feira, 18, um novo evento em Manaus para apresentar a iniciativa com foco na região da Amazônia e áreas de fronteira.

O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, participou de uma reunião com secretários e lideranças locais. Após o evento, ele disse que o objetivo é identificar quais são as regiões mais vulneráveis e as estratégias que o programa utilizará. “Temos o financiamento, um modelo consistente e a legislação necessária para implementar o plano. Temos certeza que o programa vai render frutos para a sociedade brasileira”, afirmou.

Os dados mostram que o enfrentamento do tema é urgente: um relatório divulgado na última semana pelo Fórum de Segurança Pública, baseado em pesquisa do Datafolha, mostrou que 96% da população teme a violência, e que 40% dos brasileiros foram vítimas, direta ou indiretamente, de algum tipo de crime nos últimos doze meses – além de mudar o cotidiano da população, este é um importante fator para as eleições. “É este medo, e não dados ou argumentos racionais, que determinará as escolhas eleitorais em outubro de 2026”, diz o estudo.

Especialistas avaliam, porém, que é pouco provável que essa nova iniciativa do governo renda dividendos eleitorais em tão pouco tempo, a cinco meses do encontro com as urnas. “A implantação do programa leva tempo e ainda mais tempo para que as pessoas sintam o resultado, especialmente num tema que é complexo”, disse o cientista político da universidade Mackenzie Rodrigo Prando. “Ainda que os resultados não sejam percebidos no curto prazo, ao colocar esse programa em funcionamento, é como se o governo criasse uma vacina. Vão atacá-lo por causa dos números, mas ele vai poder dizer que está trabalhando para combater isso”. Rafael Alcadipani, professor da FGV e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, tem a mesma visão. “A impressão é que esse plano foi feito a toque de caixa para o governo ter o que dizer na eleição. Mas a viabilidade de ele ser aplicado nesse momento é muito baixa tão próximo da campanha. Vejo muito mais como uma resposta do governo para a eleição do que de fato algo consistente, que vai fazer a diferença”, avaliou.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *