O ator vencedor do Oscar Javier Bardem, 57, criticou no domingo (17) a masculinidade agressiva que está no cerne de seu novo filme para a competição do Festival de Cannes, “The Beloved”, chamando-a de uma força destrutiva que ele espera que a conscientização possa ajudar a acabar.

Bardem protagoniza o drama do diretor Rodrigo Sorogoyen (“Os Anos Novos“) sobre um diretor obstinado que coloca sua filha afastada em seu novo filme, reabrindo as mágoas geradas pela raiva e pelo ego.

O filme é um dos 22 que concorrem ao prêmio principal do festival, a Palma de Ouro, que será entregue em 23 de maio.

“A ideia dessa masculinidade agressiva, que também precisa mostrar seu poder sobre os outros, é algo que ressoa em mim, porque essa é a geração com a qual cresci”, afirmou o ator espanhol de 57 anos à Reuters.

“E isso é errado. E o fato de que nesse filme estamos falando sobre isso … nos diz que há mais consciência sobre isso, como algo que temos que denunciar, que temos que deixar de lado.”

O ator, que costuma se manifestar politicamente, disse que está menos preocupado com a opinião pública do que no passado, embora falar sobre o assunto ainda possa trazer riscos. “Você tem uma família”, declarou. “Não é só você.”

Em uma coletiva de imprensa no domingo, Bardem ampliou suas críticas, dizendo que o “comportamento tóxico masculino” se estende aos líderes mundiais, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, o russo Vladimir Putin e o israelense Benjamin Netanyahu.

Ele argumentou que essa agressão e rivalidade alimentam conflitos em lugares como a Ucrânia e o Oriente Médio.

Bardem, um crítico de longa data das ações de Israel em Gaza, disse que continua a receber ofertas de emprego apesar de sua posição, sugerindo que as atitudes podem estar mudando.



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