O Partido Liberal (PL) avalia que Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência, não conta com base política sólida no estado do Ceará. Segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau, no CNN 360°, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, admitiu que um palanque compartilhado com Ciro Gomes seria prejudicial para ambas as partes.
De acordo com Venceslau, Sóstenes Cavalcante reconheceu que Flávio Bolsonaro provavelmente não terá o apoio de um candidato ao governo estadual no Ceará. “Seria ruim tanto para o Ciro Gomes quanto para o Flávio Bolsonaro se os dois dividissem o mesmo palanque”, afirmou o parlamentar, segundo a apuração.
Ciro Gomes evita aliança e mira campanha regionalizada
Ciro Gomes, que descartou disputar a presidência da República e reafirmou sua candidatura ao governo do Ceará pelo PSDB, não demonstra disposição de apoiar Flávio Bolsonaro. Segundo Venceslau, em conversas com correligionários, entrevistas e discursos, Ciro não sinaliza nenhum interesse nessa direção. Caso viesse a apoiar algum nome, a indicação seria Ronaldo Caiado, embora isso também não seja algo definido.
A estratégia de Ciro é conduzir uma campanha mais regionalizada, evitando a todo custo a nacionalização do debate — especialmente diante da elevada rejeição a Flávio Bolsonaro no estado, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com ampla vantagem. O Ceará é considerado um “bastião do PT”, que governa tanto o estado quanto a capital, Fortaleza.
Reação de Michele Bolsonaro e divisão interna no PL
Quando o PL começou a articular um possível apoio à candidatura de Ciro Gomes em troca de uma vaga ao Senado, a iniciativa gerou forte reação de Michelle Bolsonaro. Ela declarou publicamente ser contrária à aliança, relembrou críticas feitas por Ciro Gomes a Jair Bolsonaro e anunciou apoio ao senador Eduardo Girão, do Partido Novo, que também disputa o governo local e se apresenta como o único candidato verdadeiramente de direita no estado.
Apesar do cenário adverso, a expectativa de Sóstenes Cavalcante é que, quando as convenções partidárias se aproximarem, o palanque do PL para o Senado no Ceará sirva de suporte político mínimo para Flávio Bolsonaro na disputa nacional no estado. No entanto, segundo Venceslau, fontes reservadas dentro do próprio PL e no entorno de Ciro descartam praticamente a possibilidade de Flávio aparecer no horário eleitoral, nos santinhos ou nos outdoors da campanha. Ciro, por sua vez, deve centrar seu discurso em segurança pública e em críticas ao PT e aos governos petistas, explorando um certo desgaste com a administração estadual.