Um drone russo atingiu um cargueiro chinês no Mar Negro na madrugada desta segunda-feira, 18, anunciou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. O incidente ocorre poucas horas antes da reunião entre o presidente da China, Xi Jinping, e o seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, em Pequim. O encontro ocorre poucos dias após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que discutiu com Xi uma ganha de assuntos espinhos, incluindo a guerra na Ucrânia.

No X, antigo Twitter, Zelensky afirmou que drones atacaram a cidade portuária de Odessa, onde fica o maior complexo marítimo do país, e que um deles “atingiu uma embarcação pertencente à China”. Ele sugeriu também que o ataque foi intencional, alegando que “os russos não poderiam desconhecer qual embarcação estava no mar”. O episódio faz parte de uma ofensiva aérea noturna mais ampla, que também mirou a região de Dnipro. Ao todo, segundo o líder ucraniano, foram lançados “524 drones de ataque e 22 mísseis de vários tipos”.

“Alertas de ataque aéreo permanecem em vigor em muitas comunidades fronteiriças e na linha de frente, mas nossos serviços estão operando onde a situação de segurança permite. A Rússia utiliza mísseis balísticos para atingir pessoas, e é precisamente por isso que nós, na Europa, devemos fazer todo o possível para garantir uma proteção confiável contra isso”, escreveu Zelensky na publicação.

A força naval ucraniana identificou o navio como KSL Deyang. O porta-voz da Marinha da Ucrânia, Dmitro Pletenchuk, disse à agência de notícias AFP que a embarcação foi atacada por um drone Shahed, de fabricação iraniana. “Felizmente, ninguém ficou ferido e o navio seguiu seu caminho para o porto de destino”, informou ele.

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Reunião Xi-Putin

A expectativa é que a reunião marcada para terça-feira, 19, e quarta-feira, 20, seja mais amistosa que a da semana passada, algo evidente depois dos aliados trocarem “cartas de felicitações” no domingo. Em sua mensagem, segundo a mídia estatal chinesa, Xi disse que a cooperação bilateral entre a Rússia e a China “se aprofundou e se consolidou continuamente” — este ano marca o 30º aniversário de parceria estratégica.

De fato, os dois líderes se encontraram em mais de 40 ocasiões, em um estreitamento das relações que virou motivo de preocupação nos Estados Unidos e na Europa, principalmente desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Desde então, o apoio econômico e diplomático chinês Moscou tem contribuído para a perpetuação do conflito, segundo analistas.

Um artigo publicado nesta segunda-feira, 18, no jornal Global Times, do Partido Comunista Chinês, afirmou que as visitas consecutivas dos presidentes americano e russo mostram que Pequim está “emergindo rapidamente como o ponto focal da diplomacia global”.

“As visitas, realizadas em sequência rigorosa, despertaram grande atenção, com analistas observando que é extremamente raro, na era pós-Guerra Fria, um país receber os líderes dos Estados Unidos e da Rússia consecutivamente, dentro de uma semana”, afirmou o Global Times.



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