A defesa do executivo chileno preso por cometer falas racistas, xenofóbicas e homofóbicas contra um comissário de bordo em um voo da Latam, no último dia de 10 de maio, se pronunciou na tarde desta segunda-feira (18). 

Germán Andrés Naranjo Maldini, que é executivo comercial há 10 anos da Landes, empresa de fabricação de pescados, foi flagrado em vídeo pelo funcionário o chamando de “preto” e “macaco”, inclusive imitando o animal. Ele foi afastado preventivamente da companhia nesse sábado (16).

Segundo os advogados, Germán teve um surto psicótico. Ele já esteve internado desde 2013 e faz tratamento médico desde então. Além disso, a defesa afirma que o homem não se lembra dos fatos. 

“Está consternado em razão disto, pois reflete conduta incompatível com sua história de vida pessoal, familiar e profissional”. Em nota, o chileno pede “desculpas para o funcionário da LATAM e para o povo brasileiro em razão de ofensas proferidas durante surto psicótico”.

A defesa ainda diz que há grande preocupação com a saúde mental de Germán, que está preso preventivamente no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos. Ele faz uso contínuo de medicamentos e, de acordo com os advogados, “a abstinência podem ocasionar novo surto e, por consequência, colocá-lo em risco junto aos demais presos“.

Germán precisa de tratamento, sendo que sua transferência para uma clínica ou unidade hospitalar que possibilite a continuidade de seu tratamento em local adequado se mostra urgente”, finaliza.

O chileno está preso há três dias. As investigações seguem em andamento pela Polícia Federal.

Entenda o caso

O flagrante das ofensas proferidas pelo executivo comercial chileno Germán Andrés Naranjo Maldini ocorreu durante um voo da Latam, que partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino a Frankfurt, na Alemanha.

A confusão teve início quando o passageiro tentou abrir a porta do avião e foi impedido pelos tripulantes e ao ser contido, iniciou uma série de ataques contra um funcionário da companhia aérea.

Em vídeos gravados pela própria vítima, o chileno inicia os insultos afirmando: “Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay”.

Questionado pelo comissário se havia algum problema no fato de ele ser gay e preto, o executivo seguiu com as agressões: “A pele preta… que mais? O cheiro de preto, o cheiro de brasileiro…”. Mesmo após os pedidos da tripulação para que se sentasse e parasse com as ofensas, o chileno rebateu chamando o tripulante de “preto” e “macaco”, passando, em seguida, a imitar o animal no meio da aeronave.

Veja as imagens:

O homem foi localizado e preso preventivamente pela PF (Polícia Federal) nessa sexta-feira (15), ao retornar ao Brasil em uma conexão vinda de Frankfurt.

Após passar por audiência de custódia em que o juiz manteve sua prisão preventiva, o chileno foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, ficando à disposição da Justiça.

Além da prisão, Germán, que trabalhava há mais de 10 anos em uma empresa chilena de fabricação de pescados, foi afastado formal e preventivamente de seu cargo.

Veja: Executivo chileno preso por racismo em voo da Latam é afastado de empresa

A companhia emitiu um comunicado aos colaboradores condenando de forma categórica qualquer ato de discriminação, classificando a atitude como incompatível com os valores da organização.

Em nota, a Latam informou que repudia o caso e presta apoio ao funcionário que foi vítimaLeia abaixo na íntegra:

“A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia. Por esse motivo, a companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A LATAM esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *