
O partido do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, sofreu uma dura derrota nas eleições regionais em Andaluzia, região mais populosa do país, neste domingo, 17. Andaluzia foi reduto político do Partido Socialista (PSOE) por quase quatro décadas, até o Partido Popular (PP), de direita, assumir o governo em reviravolta histórica em 2019. A ida às urnas deste domingo trouxe renovou as más notícias ao governo Sánchez: o PSOE teve o pior desempenho eleitoral na região, conquistando 28 cadeiras — duas a menos que há quatro anos.
A ministra das Finanças de Sanches de 2018 a março de 2026, María Jesús Montero, encabeçou a malsucedida campanha do PSOE na região. O PP, por sua vez, teve um desempenho aquém do esperado, com 53 assentos, cinco a menos em comparação a 2022. O partido foi representado por Juan Manuel Moreno Bonilla, que comanda o governo autônomo desde janeiro de 2019,
Embora em terceiro lugar no pódio, o ultradireitista Vox saiu vencedor em Andaluzia: passou de 14 para 15 cadeiras, reflexo do avanço da extrema direita no país. Em contrapartida, partidos e alianças de esquerda também tiveram um bom desempenho, com Adiante Andaluzia alcançando 8 assentos, o quádruplo da sua bancada anterior. Com isso, tornou-se a quarta força do Parlamento local.
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Trata-se de uma sequência de maus resultados do partido do premiê. Andaluzia foi a quarta eleição regional na Espanha em menos de cinco meses. O PP venceu as três votações anteriores (Aragão, Castela e Leão), ainda que sem maioria absoluta. A viabilização desses governos, então, dependerá de uma aliança com o Vox.
As negociações entre os dois partidos já culminaram em acordos na Extremadura e em Aragão. O PP, inclusive, não descarta colaborações com a extrema direita caso as eleições nacionais de 2027 terminem sem maioria clara. A sinalização configura uma diferença de posição de outros partidos conservadores europeus, que formaram uma espécie de cordão sanitário para conter a extrema direita.