
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste sábado, 16, o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda uma “emergência de saúde pública de importância internacional”. Até o momento, foram registradas 80 mortes suspeitas, oito casos confirmados em laboratório e outras 246 infecções prováveis na província de Ituri, no Congo, epicentro da crise sanitária.
A OMS declarou “emergência pandêmica”, mas reiterou que o cenário “não cumpre os critérios de emergência pandêmica”. A principal entidade de saúde advertiu sobre a alta possibilidade de “propagação internacional da doença. Uganda já documentou dois casos da doença, contraída em viagens ao Congo. Um deles, um homem de 59 anos, morreu.
A agência recomendou o isolamento imediato dos casos confirmados e o acompanhamento diário de pessoas que entraram em contato com infectados, com restrição de viagens nacionais e proibição de internacionais até 21 dias após a exposição. No entanto, a OMS orientou os países da região a não fecharem as fronteiras e restringirem o comércio. Esse cenário, segundo a organização, poderia levar a travessias irregulares, impedindo o monitoramento.
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Reincidência na região
Na sexta-feira 15, autoridades do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC, na sigla em inglês) já haviam alertado para o risco de disseminação em razão do “intenso fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos”. Ituri abriga cidades mineradoras com constante vaivém de pessoas.
Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça vômitos, podendo evoluir para hemorragias e falência múltipla de órgãos em casos mais graves. Trata-se de uma doença com alta taxa de mortalidade, de 50%, de acordo com a OMS. O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais, como sangue ou vômito de infectados, ou com cadáveres, no caso de preparação do corpo para funerais.
Desde que o vírus foi identificado em 1976, o Congo já enfrentou 16 surtos da doença — no geral, da cepa Zaire do Ebola, que tem vacinas disponíveis. O surto de 2014-2016 na África Ocidental deixou 11 mil mortos. As amostras testadas desta vez, no entanto, são da cepa Bundibugyo, ainda sem imunizante licenciado, o que torna o panorama ainda mais preocupante.